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Sem exportar para China, frigoríficos reduzem abate

·2 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Os frigoríficos brasileiros reduziram o uso de sua capacidade instalada em meio à interrupção de suas exportações para a China e à redução da demanda doméstica por carne bovina.

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Metade da capacidade de abate do maior exportador de carne bovina do mundo estava ociosa em setembro, segundo Jessica Olivier, analista da Scot Consultoria. O ritmo de abates tem desacelerado desde o ano passado e, em setembro, a capacidade ociosa nos frigoríficos atingiu o nível mais alto da série da pesquisa iniciada em 2012.

O governo brasileiro suspendeu voluntariamente as exportações de carne bovina à China no início do mês passado, depois que dois casos atípicos do mal da vaca louca foram detectados. Embora a Organização Mundial de Saúde Animal tenha declarado que os casos não representam risco, a China ainda não autorizou a retomada dos embarques.

Outros importadores que poderiam absorver o excesso de oferta, como Egito e Arábia Saudita, também interromperam as compras em resposta ao episódio da vaca louca. A forte demanda por carne nos EUA ajudou, com o país elevando em 200% as compras dos frigoríficos brasileiros este ano. Mas os volumes são baixos em comparação com o país asiático.

“Não ter a China como importador é um golpe muito forte,” disse Wagner Yanaguizawa, analista do Rabobank Brasil, em entrevista por telefone. “A dependência da carne bovina do Brasil em relação à China está aumentando bastante.”

Cerca de 60% das exportações de carne bovina do Brasil tiveram a China como destino até setembro deste ano.

“O consumo interno não está dando conta de absorver a carne que não está indo para a China”, disse a analista da Scot. “Algumas empresas estão alternando dias de abate, parando duas ou três vezes na semana”, afirmou. O consumo per capita de carne bovina no País é o menor desde 1996, influenciado pelo alto desemprego e inflação.

Enquanto a suspensão das exportações para a China demora mais do que o esperado, outros países que atendem o mesmo destino podem ser beneficiados, como a Argentina, que voltou a embarcar para os chineses nesta semana, e o Uruguai.

Os frigoríficos Marfrig e Minerva, por exemplo, podem atender a China com suas plantas habilitadas nesses países. Já a JBS vem aumentando as vendas para a China a partir de suas operações nos EUA.

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