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Sem espaço, frigoríficos são autorizados a armazenar carne bovina que iria para a China em contêineres

·2 min de leitura

BRASÍLIA — Com as exportações de carne bovina para a China suspensas voluntariamente pelo governo brasileiro, devido ao surgimento de dois casos atípicos do mal da Vaca Louca em bovinos no Brasil no início do mês passado, o Ministério da Agricultura decidiu permitir aos frigoríficos, temporariamente, o armazenamento do produto em contêineres refrigerados.

O motivo é a demora da China em aceitar comprar de novo carne do Brasil e, com isso, o Ministério da Agricultura voltar a emitir certificados autorizando as operações. As empresas exportadoras estão sem espaço em seus estabelecimentos.

Esta foi a principal novidade de uma circular emitida pela pasta, na última terça-feira. O documento, que reitera a suspensão da produção de carne bovina para o país asiático, foi enviado aos chefes dos Serviços de Inspeção de Produtos de Origem Animal, à Coordenação-Geral de Inspeção e à Coordenação-Geral de Controle e Avaliação do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal.

Atualmente, a carne precisa ser armazenada em câmaras frias dos frigoríficos. A utilização de contêineres refrigerados não é permitida por razões de controle sanitário, como temperatura e condições de armazenamento. Mas foi aberta uma exceção, até que a situação seja resolvida.

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, já indicou que está disposta a ir até Pequim conversar com autoridades sanitárias sobre o tema. Na semana passada, ela enviou uma carta à Administração Geral da Alfândegas da China (GACC), colocando-se à disposição para tratar pessoalmente do caso.

O principal argumento a ser usado pela ministra é o fato de a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) ter mantido, há mais de um mês, o status do Brasil de país com "risco insignificante" para Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), ou vaca louca. Os casos, identificados em Minas Gerais e no Mato Grosso, são de “origem atípica” — ou seja, em que a causa é uma mutação em um único animal, e não por meio de da contaminação entre dois ou mais bovinos.

A China é um dos maiores compradores de carne bovina brasileira. Os embarques para aquele país somaram US$ 4 bilhões em 2020 e este ano, até setembro, as vendas estavam em US$ 3,8 bilhões. Os dados são do Ministério da Economia.

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