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Sem apresentar números, Bolsonaro diz que covid não fez Brasil sofrer tanto na economia

·2 minuto de leitura
Presidente Jair Bolsonaro
Presidente Jair Bolsonaro (Photo by Mateus Bonomi/Anadolu Agency via Getty Images)
  • Sem apresentar números, presidente Jair Bolsonaro diz que covid não fez Brasil sofrer tanto na economia

  • Presidente culpa governadores que adotaram medidas restritivas pela crise na economia

  • IBGE divulgou hoje que inflação em setembro teve a maior alta em 27 anos

Apesar de dados que mostram que o Brasil é um dos países onde os preços mais subiram neste ano, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira (8) que a economia brasileira foi a que menos sofreu em decorrência da pandemia do novo coronavírus.

“Um dos países que menos sofreu na economia, com a pandemia, fomos nós. Inglaterra aumentou 300% o gás e, na Europa, a média foi 200%. Os alimentos estão em falta lá, não apenas a inflação. Pessoal reclama daqui, mas aqui estamos pagando a política do ‘fica em casa e a economia a gente vê depois’. Eu falei que não podia fazer isso, tá recuperando”, disse o chefe do Executivo.

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A informação apresentada pelo presidente não condiz com a realidade. Na zona do euro a previsão é de uma alta de só 2,1% dos preços este ano. E, nos EUA, de 3,6%. Para o Brasil, a previsão do próprio governo Bolsonaro é de uma alta de preços de 8,4%.

O IBGE divulgou nesta sexta que a inflação no Brasil subiu 1,16% em setembro e alcançou a maior alta para o mês em 27 anos. A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula altas de 6,9% e de 10,25% nos últimos 12 meses.

Na lista dos itens que mais subiram estão habitação e energia elétrica, causada principalmente pela crise hídrica. Mas o presidente costuma culpar os governadores que adotaram medidas de combate à covid-19, entre elas, o isolamento social.

No entanto, previsão recente feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aponta que o Brasil terá, este ano, uma inflação que é o dobro da média do G-20, grupo que reúne os principais países ricos e os grandes emergentes.

A OCDE prevê uma inflação média mundial de 3,7% e, para o Brasil, uma alta de preços de 7,2%. O próprio governo brasileiro, porém, tem uma estimativa mais pessimista e prevê a inflação em 8,4% este ano.

O relatório da OCDE, de setembro, prevê que só Argentina, com alta de 47%, e a Turquia, com 17,8%, terão inflação pior do que no Brasil este ano.

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