Mercado fechará em 3 h 27 min

Sem adequação na governança climática, não há investimentos, diz Campos

Mariana Ribeiro

Presidente do Banco Central diz que o Brasil é um projeto de "grande potencial ambiental" e pode se beneficiar da mudança do mundo nessa direção O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse nesta terça-feira que o Brasil é um projeto de “grande potencial ambiental” e que tem muito a ser desenvolvido. Para ele, há uma “falta de informação grande” de investidores em relação ao que o país está fazendo na área climática.

No lançamento do Plano de Investimento para a Agricultura Sustentável, o presidente do BC disse que, “apesar do que escutamos e lemos na mídia”, o Brasil tem um histórico muito grande de ações sustentáveis.

Campos Neto destacou que “o mundo está mudando” em relação a questões climáticas e que escolhas fundamentais estão sendo direcionadas por esse tema. "Se você não estiver adequado nessa governança climática, você não vai receber investimentos. E no mundo globalizado de hoje é impossível ter um crescimento sustentável sem ter investimento estrangeiro”, disse.

Ele afirmou que o mercado global de crédito de carbono está se recuperando e ganha relevância. Segundo ele, uma das ideias em estudo é que o Brasil seja um centro negociador de carbono. Em relação aos títulos verdes, disse ser um mercado crescente, no qual o Brasil tem pouca participação se comparado ao universo global.

“Temos, devemos e podemos participar mais desse mercado”, colocou. Segundo ele, há iniciativas sendo estudadas dentro do grupo de mercado de capitais que “devem ser anunciadas em breve”.

O presidente da autoridade monetária destacou que a questão ambiental influencia as dimensões de política monetária e estabilidade financeira e os bancos centrais têm se debruçado sobre o tema. “Nos últimos anos, o BC está interagindo mais com o setor financeiro para promover políticas voltadas à questão ambiental”, acrescentou.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, vê potencial para o Brasil aproveitar mais o tema ambiental nos mercados

Leonardo Rodrigues/Valor