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Sem ações para atrair pessoal, Twitter irá na contramão das startups

O Twitter, comprado recentemente por US$ 44 bilhões (R$ 224 milhões, aproximadamente, na cotação atual) por Elon Musk, a partir de agora vai seguir o fluxo inverso ao de startups e empresas com crescimento acelerado: em vez de mirar na Bolsa, vai fechar seu capital e deixar de usar suas ações como ativos para funcionários. A avaliação é do advogado Carlos Lobo, do escritório norte-americano Hughes, Hubbard & Reed.

Dentro do Twitter, uma dúvida atual sobre a aquisição é o que será dos pacotes de compensação, bônus ou indenizações dos funcionários. Empresas em estágio inicial, principalmente startups, oferecem benefícios como oferta de ações para atrair e reter talentos em diversas áreas.

“Isso é muito comum nos Estados Unidos e faz parte do plano de crescimento dessas empresas, que inicialmente não conseguem pagar salários tão altos. Como elas esperam abrir o capital no mercado em quatro ou seis anos, já sinalizam para os funcionários que eles poderão ter um ganho financeiro quando a empresa tiver ações negociadas na Bolsa. Numa empresa que fecha o capital, já não é claro qual seria o benefício deste tipo de compensação”, diz o advogado.

Elon Musk poderá ter problemas com retenção de funcionários no Twitter após aquisição (Imagem: Pixabay/Tumisu)
Elon Musk poderá ter problemas com retenção de funcionários no Twitter após aquisição (Imagem: Pixabay/Tumisu)

Com apenas um dono no Twitter, a oportunidade dos funcionários com ações da empresa na Bolsa lucrarem com a venda de seus ativos desaparece. A contratação ou retenção de talentos também perderá força sem esse atrativo. Uma das opções de Musk seria oferecer bônus em dinheiro equivalentes à quantidade de ações que o funcionário receberia. Mas o cálculo dessa métrica seria difícil pela ausência de avaliações externas, além de gerar mais custo para a rede social.

Segundo Lobo, operações como a compra ou fusões que impliquem mudança de controle da empresa exigem muito cuidado nas etapas de auditoria, coleta de informações e negociação. “Aqui nos Estados Unidos não há uma proteção legal na legislação trabalhista nos moldes da que existe no Brasil, mas há muitos contratos, planos e cláusulas que podem gerar custos consideráveis para aquisições”, explica.

Além da questão das ações, funcionários do Twitter que tenham ações podem ter benefícios como os golden parachutes, que preveem indenizações altas em caso de mudança de controle da empresa. Essa compensação também pode encarecer a aquisição da companhia. O tempo dirá se Musk terá problemas com tudo isso ou não.

Fonte: Canaltech

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