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Selic elevada vai aumentar endividamento; veja como a taxa pesa no bolso do consumidor

·3 minuto de leitura
Percentual de famílias endividadas e inadimplentes aumentou em agosto deste ano. Foto: Getty Images.
Percentual de famílias endividadas e inadimplentes aumentou em agosto deste ano. Foto: Getty Images.
  • Economista avalia que a mudança agrava desequilíbrio dos orçamentos familiares;

  • Os juros dos temidos cartões de crédito e cheque especial são calculados a partir da Selic;

  • Percentual de famílias endividadas e inadimplentes aumentou em agosto deste ano.

Ontem, o Banco Central anunciou a nova taxa Selic: 6,25% ao ano. O aumento de um ponto percentual nos juros básicos da economia preocupa especialistas, que sinalizam que a mudança pode agravar o desequilíbrio dos orçamentos familiares.

"Com a inflação em alta, tradicionalmente uma parte dos consumidores recorrem a meios que geram endividamentos, como o uso do cartão de crédito, dívidas no cheque especial. A rolagem desses endividamentos fica mais cara, pois os juros que são cobrados têm interferência da Selic. O aumento é mais um fator de desequilíbrio para as famílias", avalia Gilberto Braga, economista e professor do IBMEC.

Agosto fechou com aumento de endividamento

O percentual de famílias endividadas (com atraso ou não) e inadimplentes (com contas em atraso) aumentou em agosto deste ano. O endividamento atingiu 67,5% das famílias brasileiras, de acordo com dados divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Já a inadimplência chegou a 26,7% das famílias em agosto, percentual superior aos 26,3% de julho deste ano e aos 24,3% de agosto do ano passado.

Leia também:

As famílias que não terão condições de pagar suas contas chegou a 12,1% acima de julho (12%) e de agosto do ano passado (9,5%).

Dívidas em números

De acordo com a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), o juro médio para as pessoas físicas passará de 102,48% para 104,32% ao ano. Para as pessoas jurídicas, a taxa média sairá de 46,78% para 48,16% ao ano.

Apesar do impacto pequeno nas taxas médias, os consumidores e as empresas gastarão mais para contratar linhas de crédito, conforme as simulações detalhadas da entidade.

Simulações feitas pela entidade para a Agência Brasil mostram, como exemplo, o financiamento de uma geladeira: custando R$ 1,5 mil e dividida em 12 prestações, o comprador desembolsará R$ 9,14 a mais com a nova taxa Selic.

Já um cliente que entra no cheque especial em R$ 1 mil por 20 dias pagará R$ 0,53 a mais.

Na utilização de R$ 3 mil do rotativo do cartão de crédito por 30 dias, o cliente gastará R$ 2,40 a mais. Um empréstimo pessoal de R$ 5 mil por 12 meses cobrará R$ 29,22 a mais após o pagamento da última parcela.

O que é a taxa Selic?

Selic é a taxa básica de juros da economia no Brasil, utilizada no mercado para financiamento de operações diárias, bem como parâmetro para empréstimos bancários e outras transações.

O valor é obtido por meio do cálculo da taxa média ponderada dos juros praticados pelas instituições financeiras brasileiras. Para definir a taxa Selic, o Copom (ligado ao Banco Central) faz oito reuniões por ano levando em consideração projeções da atividade econômica, perspectiva para a inflação e outras variáveis.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional (os investimentos no Tesouro Direto entram nessa categoria, assim como outros tipos de Renda Fixa) e serve como referência para os bancos na hora de conceder empréstimos. Os juros do temido cheque especial também são calculados a partir da Selic.

Economistas acreditam que ainda seja possível mais uma alta de taxa de juros até o final de 2021. O que não se sabe ainda é qual é o tamanho dessa desse aumento. "O governo vinha anunciando aumentos menores e, nas duas últimas reuniões do Copom, houve alta de um ponto percentual. Existe pelo menos mais aí um ponto e meio para subir a taxa de juros com essa perspectiva de inflação ainda bastante pressionada", comenta Braga.

O argumento dado pelo Banco Central é de que a taxa em alta pode conter a inflação. "A não ser que exista uma reversão nos índices de inflação, pode-se modificar essa projeção de taxa de juros. Mas com inflação, a taxa de juros alta é o remédio que esse governo tem nas mãos", finaliza.

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