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Selic alta afasta 3 milhões de famílias do 'sonho' da casa própria

Cada variação de 2,5% na Selic há o aumento de 1 ponto percentual no Custo Efetivo Total no financiamento da casa própria
Cada variação de 2,5% na Selic há o aumento de 1 ponto percentual no Custo Efetivo Total no financiamento da casa própria
  • Taxa passou de 2% em janeiro de 2021 para cerca de 10,75% em 2022

  • Financiamento imobiliário é um dos setores mais influenciados pela Selic

  • Com alta da taxa, um mesmo imóvel pode ficar cerca de R$ 64 mil mais caro

O sonho da casa própria está cada vez mais distante de diversas famílias brasileiras. Ao menos, é o que diz o estudo feito pelo curso de desenvolvimento de negócios imobiliários, da FGV. De acordo com os cálculos feitos, o aumento da taxa básica de juros, a Selic, pode afastar cerca de 3 milhões de famílias de alcançar tal objetivo. Isso acontece pelo fato de a Selic - que foi de 9,25% para 10,75% ao ano - ter influência direta no valor do financiamento imobiliário - com seu aumento, o valor da residência ficará mais caro. Alberto Ajzental, coordenador do curso, garante que a cada variação de 2,5% na Selic há o aumento de 1 ponto percentual no Custo Efetivo Total no financiamento do imóvel.

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Selic passou de 2% a quase 11% em um ano

Em entrevista ao portal UOL, Ajzental calculou o impacto da variação que ocorreu nos últimos 12 meses na Selic, quando a taxa passou de 2% em janeiro de 2021 para cerca de 10,75% em 2022. "Podemos estimar afastamento de algo em torno de 3 milhões de famílias com condições de adquirir esse mesmo imóvel (considerado intermediário, de dois dormitórios com valor aproximado de R$ 250 mil - o mais vendido no país)", disse. Número esse que pode aumentar, caso seja considerada a perda do poder aquisitivo causada pela inflação e pelo desemprego.

Influência direta no financiamento

Segundo explicou Ajzental, da FGV, o financiamento imobiliário é um dos setores mais influenciados pela Selic, "porque tem a melhor garantia e uma relação que dá certa segurança ao banco. No rotativo do cartão de crédito, por exemplo, a Selic pode cair pela metade, que nada muda". Ou seja, comprar um imóvel fica cada vez mais complicado quando a taxa se mantém alta, já que o efeito é quase que imediato no valor da parcela. Para efeito de comparação, o coordenador do curso da Fundação Getulio Vargas comparou uma mesma compra com diferentes taxas Selic.

Selic alta deixa imóvel mais caro

Quando a taxa Selic estava em 2%, o valor final do imóvel citado no início desta matéria - de R$ 250 mil, o mais vendido no país - chegaria a cerca de R$ 363.033 ao fim do contrato, com parcelas de quase R$ 2,2 mil se financiado em 20 anos. Enquanto que com a taxa em 10,75%, esse mesmo imóvel custaria R$ 427.047 - ou seja, encarecendo R$ 64 mil a mais. Fora que a parcela seria de aproximadamente R$ 2,7 mil. "Não estou falando que a família não pode mais comprar um imóvel quando aumenta o CET. Estou dizendo que agora terá de adquirir um menos caro", diz Ajzental.