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Selic a 4,5% fará renda fixa e poupança renderem menos que a inflação

Patricia Valle
(Foto: Getty Images)

Na última quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros da economia, a Selic, para 5% ao ano e indicou que haverá outro corte de 0,5 ponto percentual ainda este ano.

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Analistas de mercado estimam que a Selic encerre este ano — e também 2020 — em 4,5%. Para a inflação medida pelo IPCA, as projeções são de 3,3% em 2019 e 3,6% no ano que vem. Nesse cenário, especialistas alertam que as tradicionais aplicações de renda fixa livres de risco perderão da inflação no ano que vem.

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De acordo com simulações feitas pela assessoria financeira All Investimentos com exclusividade para O GLOBO, a poupança, por exemplo, cuja rentabilidade é de 70% da Selic, renderá apenas 3,15% ao ano. Já o Tesouro Direto Selic, resgatado no prazo de 12 meses, terá um rendimento de 3,35%, descontando-se o Imposto de Renda e a taxa de custódia da B3.

Os fundos DI, que acompanham a rentabilidade do CDI, têm cobrado, em média, 1% ao ano de taxa de administração e, assim, renderão para o investidor apenas 2,8% ao ano. BC corta os juros: da casa própria aos investimentos, como a menor taxa da História muda a economia brasileira— Os fundos DI só irão render acima da inflação com taxa de administração menor que 0,3% ao ano.

Hoje, quase nenhuma gestora cobra tão pouco, principalmente para baixos aportes, que é o que deveria ficar nesses investimentos líquidos. O brasileiro que está acostumado a investir no CDI vai ver o seu rendimento ser corroído pelo imposto e pela inflação — afirma Henrique Bousquat, estrategista da All Investimentos.

Para especialistas, a partir de agora os investidores terão de entender melhor o que precisa ficar como reserva de liquidez na carteira e o que deve ficar como investimento.

"Não dá mais para ter liquidez, baixa volatilidade e rendimento no mesmo produto. É preciso abrir mão de alguma coisa. O brasileiro vai ter de aprender a investir", afirma André Perfeito, economista-chefe da Necton.

Apesar da rentabilidade baixa, o Tesouro Selic ainda é considerado uma boa opção para guardar a reserva de emergência, que deve ter acima de tudo liquidez, ou seja, a possibilidade de resgate rápido, com a menor incidência possível de IR.

Outra alternativa é buscar fundos de renda fixa com liquidez e que invistam parte da carteira em crédito privado, para ter uma rentabilidade um pouco maior.

“O investidor precisa, mais do que nunca, procurar uma assessoria para buscar opções no mercado e exigir rentabilidade. Fundos de renda fixa terão de cobrar menos que 0,3% de taxa de administração ou assumir mais risco, senão, não fazem sentido", diz Bousquat.

Outra recomendação é entender melhor o que de fato é preciso investir a curto prazo. A médio e longo prazos, a renda fixa ainda tem boas opções, mesmo no Tesouro Direto, que tem títulos rendendo de 2% a 3% acima da inflação.

Fundos de crédito privado, com debêntures incentivadas, que são isentas de IR, são opções para ter rendimento superior ao de títulos públicos. Mas, se o resgate for feito em um momento ruim do mercado, o investidor pode amargar perdas.