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Segundo paciente curado do HIV está há dois anos e meio sem o vírus

Fidel Forato

Agora, parece mais seguro afirmar que há uma cura real para o HIV, mesmo que cara e de difícil reprodução. Isso porque um homem, morador de Londres, se tornou a segunda pessoa no mundo a ser curada do vírus, segundo afirmam os médicos. Ainda em acompanhamento, Adam Castillejo segue livre do HIV há mais de 30 meses — cerca de dois anos e meio — após a interrupção de qualquer terapia antirretroviral.

Segundo paciente curado do HIV segue sem o vírus mais de dois anos após  interromper qualquer tratamento (Foto: Andrew Testa/ New York Times)

O paciente de Londres, agora com 40 anos de idade, só decidiu divulgar essa semana sua identidade. Adam não foi curado pelos tradicionais remédios indicados contra o HIV, mas a partir de um tratamento contra um câncer de sangue, onde recebeu doações de células-tronco da médula óssea, como relata o jornal Lancet HIV. No seu caso, os doadores das células-tronco tinham um gene incomum que os protegia, naturalmente, contra o HIV — e essa capacidade foi aparentemente compartilhada, sem se saber inicialmente.

No ano de 2011, Timothy Brown, também conhecido como o paciente de Berlim, tornou-se a primeira pessoa curada do HIV, três anos e meio depois de ter passado por tratamento semelhante de transplante de médula óssea. Até então, por ser um caso único, o procedimento não poderia ser generalizado como uma possível a cura para o HIV.

Como foi o tratamento?

A partir dos transplantes de células-tronco, o vírus não foi mais capaz de se replicar dentro do corpo do paciente, já que as células imunes originais de Adam foram substituídas pelas dos doadores, que eram resistentes à infecção pelo HIV. Hoje, de acordo com os exames, não há nenhuma infecção por HIV em seu sangue, sêmen ou tecidos.

Após um ano em que os médicos anunciaram que Adam estava livre do vírus, o paciente segue curado, totalizando um tempo de dois anos e meio sem qualquer implicação. Para a pesquisadora principal do caso, Ravindra Kumar Gupta, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, "isso representa a cura do HIV de maneira quase certeira", já que o paciente abandonou qualquer forma de tratamento e segue sem o vírus, saudável.

"Nossas descobertas mostram que o sucesso do transplante de células-tronco como cura para o HIV, relatado pela primeira vez há nove anos no paciente de Berlim, pode ser replicado", explica Gupta. No entanto, esse não será um tratamento para os milhões de pessoas que em todo o mundo convivem com a AIDS, porque esse tratamento (muito agressivo) foi realizado para tratar um câncer e a cura do HIV foi uma resposta não esperada.

Gupta ainda destaca: "É importante notar que este tratamento curativo é de alto risco e usado apenas como último recurso para pacientes com HIV que também têm neoplasias hematológicas com risco de vida." Por isso que este não é um procedimento que será oferecido amplamente a pessoas com HIV, que estejam em tratamento antirretroviral bem-sucedido.

Afinal, os medicamentos atuais e mais modernos contra o HIV permanecem muito eficazes no controle do vírus, o que significa que as pessoas com a infecção podem ter vidas longas e saudáveis, de forma segura.

Terapia genética?

Nos dois casos, a doação de médula óssea alterou o CCR5, gene que codifica a proteína C-C, receptor mais usado pelo HIV para invadir as células. Só que um número muito pequeno de pessoas, resistentes ao HIV, tem duas cópias mutadas do CCR5. Isso significa que, nesses casos, o vírus não pode penetrar nas células do corpo humano em que normalmente infecta.

Por isso, pesquisadores alegam que, no futuro, pode ser possível usar a terapia genética para modificar o gene CCR5 em pessoas com HIV, sem a necessidade desse procedimento tão invasivo. Para lembrar, esse é o mesmo gene que o cientista chinês, He Jiankui, modificou quando criou os primeiros bebês editados geneticamente no mundo.

Os testes sugerem que 99% das células imunes de Castillejo foram substituídas por células dos doadores, mas ainda há alguns restos do vírus em seu corpo, assim como no organismo de Brown, mas de forma que não apresentam nenhum risco. No entanto, é essa presença que faz ser impossível afirmar, com certeza, que o HIV nunca retornará.

Segundo Sharon Lewin, da Universidade de Melbourne, na Austrália, "os dados adicionais fornecidos neste relatório de caso de acompanhamento são certamente encorajadores, mas infelizmente, no final, apenas o tempo dirá (se sua eficácia é vitalícia)".


Fonte: Canaltech

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