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Seguidora do candomblé, Jéssica Ellen faz homenagem à umbanda no single 'Macumbeira': 'Não é questão de coragem, mas de reverência'

Isabella Cardoso
·5 minuto de leitura
Foto: Gabriella Maria

90536577_17-11-2020 - A atriz Jéssica Ellen lança seu segundo disco Macumbeira.jpg

Foto: Gabriella Maria

O ano de 2020 foi uma montanha-russa para Jéssica Ellen. A atriz chegou a ganhar status de protagonista em “Amor de mãe” e comoveu o Brasil numa das cenas mais compartilhadas da novela, quando, após ser baleada, sua personagem, Camila, desabafa no hospital com a mãe, Lurdes (Regina Casé), sobre o peso de sempre ter que ser forte. O trabalho na trama das nove da Globo, no entanto, teve que ser interrompido por conta do coronavírus. A carioca de 28 anos, então, aproveitou o tempo para investir em outra faceta da arte. Ela lançou, na última sexta-feira, o single “Macumbeira”, primeira música de trabalho do EP homônimo, que será lançado no início do próximo ano.

— O termo “Macumbeira” é usado como uma forma de xingamento, de tentar diminuir a religião, a escolha, a crença. Minha tentativa é ressignificar — explica.

Assim como a primeira música, o disco de Jéssica é todo pautado nas religiões de matriz africana. Apesar de seguir o candomblé, ela faz uma homenagem à umbanda e também a seu avô, que morreu há 16 anos. A atriz aproveitou a quarentena para se aprofundar em sua história familiar, e essa visita ao passado é característica presente em todo este novo trabalho:

— Meu avô, pai da minha mãe, era da umbanda, e tenho uma lembrança muito infantil, do dia de São Cosme e Damião, de tomar o passe do caboclo. Tudo fez parte do meu cotidiano. Tenho um carinho enorme por essa crença, porque fez parte da minha vida — diz a cantora, que tem uma família ecumênica: — Minha avó é católica. Meu avô e minha mãe, da umbanda. Tenho tios ateus. A gente sempre conviveu com escolhas diferentes. Mas, quando a gente se reúne em família, é para comer churrasco, beber cerveja, conversar. Religião nunca foi algo imposto, sempre foi assim: “No momento que você sentir, vai fazer as suas escolhas”.

Apesar da relação de anos com a umbanda, Jéssica explica que sua primeira religião, de fato, foi o candomblé.

— Na umbanda, eu ia para conhecer. Sinto que minha primeira religião foi o candomblé, porque foi uma escolha. Em 2016, comecei a frequentar. Fui numa feijoada para Ogum, numa festa de Oxalá. Eu me senti muito bem, era um ambiente que me trazia tranquilidade, paz. Fui fazendo visitas até o momento em que eu senti muito forte a presença de Oxum — relembra ela.

Jéssica já era atriz quando se iniciou na religião e conta que, apesar do preconceito, falar do assunto publicamente nunca foi uma questão:

— Eu tinha acabado de fazer um trabalho, entrei de férias e foi tudo muito natural. No começo, eu não falava porque não tinha experiência. Depois, passou a fazer parte do meu cotidiano, da mesma maneira que me perguntam sobre como é ser da Rocinha, como foi a minha relação com a arte. Como uma pessoa que tem a imagem pública, acho legal incentivar os outros a se assumirem, ressignificarem essa relação. Muitos acham que tenho coragem de falar sobre religião. Não é uma questão de coragem, mas de reverência ao que foi dado pelos seus ancestrais.

Este é o segundo CD da atriz, que estreou como cantora em “Sankofa”, lançado em 2018. Seu primeiro disco também era marcado pelo resgate da ancestralidade e foi classificado por ela como um marco do seu amadurecimento. Já “Macumbeira” é um símbolo de um aprofundamento no estudo das religiões. O EP terá sete músicas e cada uma delas fará referência a uma entidade.

— “Sankofa” foi uma abordagem de tudo. Já esse trabalho foca na umbanda, que é bem diferente do candomblé. Embora as pessoas acham que seja a mesma coisa, é uma religião totalmente brasileira, fundada em São Gonçalo. Cada entidade é uma personalidade diferente, e esse meu segundo disco fala disso — detalha a artista, que queria uma data significativa para lançá-lo: — A ideia era começar a fazer em maio, logo que a novela saísse do ar. Só que estourou toda a pandemia, ficamos meses sem gravar, tivemos que nos readaptar a todo esse novo cenário. O desejo inicial era que o single fosse lançado no último dia 15 de novembro, quando é comemorada não só a proclamação da República, como o Dia Nacional da Umbanda. Só que a volta das gravações da novela exigiu muito de mim e preferi adiar um pouco.

A estreia, então, aconteceu na última sexta-feira, 20, Dia Nacional da Consciência Negra. Além de cantar, Jéssica repete a parceria numa composição com Thiago da Serrinha. A atriz Zezé Motta também aparece no álbum.

— Ela recita um poema, que antecede uma música. Tem a participação do Pretinho da Serrinha, que compôs uma das canções e ainda toca cavaquinho. E também ninguém menos que minha irmã. Ela canta também. Nossa família é cheia de artistas — orgulha-se ela, contando que todo mundo tem um pezinho na arte: — Minha mãe, embora não seja uma profissional da música, sempre teve um gosto maravilhoso. Alcione, Maria Bethânia, Whitney Houston, Toni Braxton, Cássia Eller... Ela ouvia essas mulheres fazendo faxina em casa. Eu sou a primeira pessoa a viver da arte como trabalho, mas todos têm uma relação muito forte com ela.

Na expectativa de ver “Amor de mãe’’ de volta em 2021, a carioca segue com o desejo de conciliar o trabalho de cantora com o de atriz.

— Na novela, a gente teve que se readaptar, mas acho que a trama continua bem fiel. Tem cenas muito bonitas e emotivas.

Em meio à quarentena, que ela passou longe da família, mas junto do namorado Dan Ferreira, Jéssica manteve contato com o público através das redes sociais. Fez live cantando músicas da Disney, outras falando de autocuidado... Além de reflexões sobre momentos de sua vida. Num de seus posts, a atriz publicou uma foto nua, em que fala do corpo como templo. Mas, apesar dos longos papos nas redes, a atriz afirma que permanece discreta em relação à vida pessoal.

— Continuo sendo uma pessoa reservada, mas foi um período em que muita gente olhou para dentro e se perguntou: “Caramba, que escolhas estou fazendo? Será que estou bem?’’. Foi mais uma tentativa de conversar e apresentar possibilidades de caminhos — diz ela, que faz um balanço de 2020: — Para mim, foi muito importante reafirmar o que é fundamental mesmo diante de todo o caos. Foi bom para perceber o quanto minha família, de fato, é algo importante. E também o quanto a arte é essencial na minha vida.