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Segmento que mais cresce é o de médias empresas, diz diretor do Itaú BBA

Maria Luíza Filgueiras e Adriana Cotias

Operações do banco no mercado de capitais com companhias nessa faixa subiram de 35 em 2018 para 73 neste ano O segmento de médias empresas é o que mais cresce no Itaú BBA na área de mercado de capitais neste ano, segundo Flávio Souza, diretor de banco comercial do Itaú BBA. Durante coletiva de imprensa, ele citou que só em emissões de renda fixa foram 73 operações, em comparação a 35 em 2018.

“Muitas dessas empresas de médio porte até então não tinham acesso ao mercado de capitais e agora estão se preparando para fazer emissão de dívida num segundo momento.”

Dentro do banco de atacado, a instituição criou um segmento de agro para atendimento a produtores rurais, com agrônomos treinados em finanças no banco. A carteira agro do banco cresceu 17% neste ano.

Melhora em 2020

O Itaú BBA espera mais um ano forte de mercado de capitais em 2020. A projeção feita pelo banco é que as emissões de renda fixa aumentem cerca de 10%, já sobre uma base forte, e que as ofertas de ações cresçam 20%.

“A proporção de IPOs em relação a follow-ons deve ser maior no próximo ano”, disse João de Biase, diretor do banco de investimento do Itaú BBA.

Em emissores de renda fixa, o banco estima que o ano de 2019 encerre com volume de R$ 140 bilhões. “Já estamos com R$ 120 bilhões emitidos e com um diferencial que os bancos vêm parando de encarteirar as emissões. O percentual do que é distribuído aumentou de 63% para 69% no comparativo anual”, disse Christian Egan, diretor de distribuição.

O banco espera que a disputa por operações, que faz as comissões de coordenação diminuírem, não pressione sobremaneira as taxas no ano que vem. Este ano, muitas operações colocadas a mercado por empresas públicas tiveram taxas abaixo da média. Follow-ons também costumam ter taxas menores que IPOs. “Acho que as comissões podem crescer acompanhando o volume de emissões, com o ‘fee pool’ em America Latina aumentando cerca de 10%”, disse Biase.

Para ele, empresas com necessidade de capital intensivo, como construção e infraestrutura, continuarão acessando o mercado e, conforme haja melhora econômica, mais empresas ligadas a consumo. Companhias de saneamento também devem apresentar maior volume de transações, disse Biase.

Gestão de recursos

O diretor de wealth e private banking do Itaú, Carlos Constanini, afirmou que a “nova asset” do banco, remodelada sob a estrutura de multimesas que alimentam os mesmos fundos de investimentos, alcançou R$ 13 bilhões.

O novo desenho, que trouxe uma equipe de novos gestores para produtos de valor absoluto — que não seguem um referencial de mercado – não anula a oferta de fundos de fundos e fundos de terceiros, que somam R$ 220 bilhões no banco.

Segundo o executivo, num cenário de menor taxa de juros era preciso aumentar a oferta de produtos alternativos, bem como as estratégias que envolvem fundos de índice (ETF), que seguem referenciais de mercado e são mais baratos para o investidor.