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Seca e altas temperaturas derrubam produção de laranja em SP e MG

MARCELO TOLEDO
·4 minuto de leitura

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - A combinação de quase cinco meses sem chuvas significativas e com temperaturas até 4,4ºC acima da média histórica fez com que a safra de laranja 2020/21 no cinturão citrícola que envolve São Paulo e o Triângulo Mineiro sofresse a maior quebra histórica, com produção 30,55% inferior à da safra passada. Os dados, divulgados nesta segunda-feira (12) pelo Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura), mostram ainda que 1 milhão de árvores morreram devido ao estresse hídrico. A safra 20/21 alcançou 268,63 milhões de caixas de 40,8 quilos cada, volume 6,65% menor que o previsto em maio do ano passado, antes de o clima atrapalhar os pomares das 12 regiões monitoradas pelo Fundecitrus —11 em São Paulo e 1 em Minas Gerais. Isso apesar de a maior parte dos pomares ter irrigação. Desse total, 19,33 milhões de caixas foram produzidas no Triângulo Mineiro. Algumas das regiões ficaram até 145 dias consecutivos sem registrar chuvas significativas e também sofreram com ondas extremas de calor nos meses de setembro e outubro, quando as temperaturas máximas foram 4,4ºC e 3,1ºC, respectivamente, acima das médias máximas históricas. As regiões mais afetadas foram o norte, centro-norte e noroeste de São Paulo —cidades como Matão, Araraquara, Bebedouro, São José do Rio Preto e Votuporanga— e o Triângulo Mineiro. A forte produção da safra anterior, 387 milhões de caixas, fez as árvores chegarem ao florescimento com suas reservas energéticas em níveis mais baixos, o que resultou em redução no total de frutos por árvore. Além disso, as temperaturas elevadas, que começaram ainda no segundo semestre de 2019, prejudicaram a fixação dos frutos recém-formados nos pés de laranja. Quando chegou a fase de desenvolvimento dos frutos, a seca e o calor se intensificaram. "Esta safra que estamos fechando a florada começou muito bem, mas dois a três meses depois, foi extremamente seco e quente. De maio do ano passado a março deste ano choveu 80% da média histórica, o que fez com que a fruta desenvolvesse menos", afirmou o gerente-geral do Fundecitrus, Juliano Ayres. O cinturão formado por São Paulo e o Triângulo Mineiro representa de 75% a 80% da produção nacional, conforme a safra. Embora sem o mesmo peso, outras regiões também têm enfrentado problemas climáticos na citricultura, como o Paraná. Apesar de a laranja ser uma cultura bianual —alterna uma grande safra com uma produção menor no ano seguinte—, essa característica não é tão intensa como no café. "Na laranja, a safra de baixa é 10% menor, 20%, tanto que está dando 30% agora." A queda de 30,55% na produção entre uma safra e outra é a maior da série histórica, iniciada em 1988 com dados da Citrus-BR (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos) e do Fundecitrus. Até então, a maior quebra havia ocorrido em 2018/19, com 28,14%. A safra 2020/21 é a sexta menor da série. O clima também fez com que 1,3 milhão de árvores, das 174,25 milhões em produção, morressem. Houve regiões, porém, que sofreram menos com o estresse hídrico e as altas temperaturas, como o sudoeste paulista, composto por Itapetininga e Avaré. Nelas, as temperaturas foram mais amenas e a precipitação pluviométrica foi maior. Embora os dados globais mostrem queda de menos de dois dígitos em relação ao projetado, houve casos de produtores que perderam entre 30% e 50% de suas safras, de acordo com a ABCM (Associação Brasileira dos Citros de Mesa). Com esse cenário de quebra de safra, a perspectiva é que ao longo dos próximos meses os preços tenham alta no mercado, já que a associação estima que faltará fruta. A taxa média de queda de frutos atingiu 21,60%, tendo como principais motivos queda natural e mecânica (6,63%), bicho-furão e mosca-das-frutas (4,76%), greening (3,71%), pinta preta (2,98%), leprose (1,70%), rachadura da casca devido à seca (1,45%) e cancro cítrico (0,37%). A previsão para a próxima safra deverá ser divulgada pelo Fundecitrus no final de maio, um atraso de suas semanas em relação ao habitual, devido aos reflexos da pandemia da Covid-19, que tem feito com que os processos se tornem mais lentos. Embora não se saiba o que acontecerá, de janeiro a março as chuvas atingiram no máximo 80% da média histórica, e sem a regularidade ideal.