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Se tivesse mais gado no Pantanal, desastre seria menor, diz ministra da Agricultura sobre queimadas

RENATO MACHADO
·5 minutos de leitura
***FOTO DE ARQUIVO***Santo Antonio Leverger, MT. 19/09/2020. Vaqueiro cavalga por uma area de vegetação queimada na fazenda São Francisco,  que foi devastada por um incêndio florestal. ( Foto: Lalo de Almeida/ Folhapress )
***FOTO DE ARQUIVO***Santo Antonio Leverger, MT. 19/09/2020. Vaqueiro cavalga por uma area de vegetação queimada na fazenda São Francisco, que foi devastada por um incêndio florestal. ( Foto: Lalo de Almeida/ Folhapress )

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - ​A ministra Tereza Cristina (Agricultura) disse nesta sexta-feira (9) que o desastre ambiental provocado pelas queimadas no Pantanal seria menor, se houvesse mais atividade pecuária no bioma.

Em setembro, houve aumento de 180% no número de queimadas na região do Pantanal, em comparação com o mesmo período do ano passado. É o mês com o maior número de ocorrências da história: 8.106.

A área atingida no ano chega a quase 33 mil km², o que corresponde a 14% de todo o bioma.

"Aconteceu um desastre porque nós tínhamos muita matéria orgânica seca, e, talvez, se nós tivéssemos um pouco mais de gado no Pantanal, teria sido um desastre até menor do que o que nós tivemos neste ano. Mas isso tem de servir como reflexão sobre o que é que nós temos de fazer", afirmou a ministra, durante audiência na comissão especial do Senado, que acompanha as ações de enfrentamento às queimadas no Pantanal.

A ministra usa a polêmica tese do "boi bombeiro", já defendida pelo ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) e bastante criticada por ambientalistas.

Segundo essa visão, o boi criado solto comeria o capim e assim ajudaria a diminuir a quantidade de material que ajuda a propagar o fogo. Setores ligados à pecuária usam esse argumento para criticar a diminuição do rebanho no bioma do Pantanal nos últimos anos.

"Eu falo uma coisa que, às vezes, as pessoas criticam, mas o boi ajuda, ele é o bombeiro do Pantanal, porque ele que come aquela massa do capim, seja ele o capim nativo ou seja o capim plantado, que foi feita a troca", disse.

"É ele [boi] que come essa massa para não deixar que ocorra o que este ano nós tivemos. Com a seca, a água do subsolo também baixou em seus níveis. Essa massa virou o quê? Um material altamente combustível, incendiário, completou.

No mês passado, em audiência no STF (Supremo Tribunal Federal), a ministra já havia dito que a agropecuária e o produtor rural são os mais importantes aliados na preservação do meio ambiente e que "vilanizar a agricultura brasileira não ajuda em nada".

Em sua fala no Senado, Tereza Cristina afirmou que o "pantaneiro" é o grande responsável pela preservação do bioma nos últimos anos. No entanto, ressalta, que a população nativa da região se empobreceu e que uma forma de economia sustentável na região é necessária para manter o meio ambiente.

"O pantaneiro, o homem do Pantanal preservou até hoje. Talvez a nossa pecuária que começou lá no passado, 200 anos atrás, no Pantanal. O Pantanal foi o celeiro, vamos dizer, da riqueza do nosso Estado lá no passado, com a pecuária extensiva, e, assim mesmo, nós chegamos hoje, em 2020, a um Pantanal com mais de oitenta e tantos por cento de preservação", afirmou.

A ministra também pediu que se melhore a infraestrutura da região, para evitar futuros desastres. Tereza Cristina afirmou que, muitas vezes, os equipamentos para combater os incêndios existem, mas que existe problemas de logística que impedem que cheguem aos locais onde são necessários.

Tereza Cristina também afirmou que precisa haver bases de treinamentos para do "homem do Pantanal" para que ele e seus funcionários também sejam brigadistas, combatendo os incêndios.

Ambientalistas criticam a tese do “boi bombeiro”, primeiramente porque afirmam que não houve redução da atividade pecuarista na região do Pantanal.

“Se nós pegarmos os indicadores do aumento de gado na região do Centro-Oeste, no Pantanal, e na região da Amazônia nos últimos dez anos, nós vamos verificar que, se houvesse uma relação direta entre o gado e os incêndios, nós teríamos muito menos incêndio simplesmente porque tem muito mais gado no Pantanal”, afirma Carlos Bocuhy, presidente do Proam (Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental).

Além de questionar a redução na atividade pecuária, especialistas afirmam que o principal fator para regular as queimadas é o ciclo hidrológico, a alternância dos períodos úmidos e secos. No entanto, como a própria ministra afirmou em sua apresentação, a região vive a seca mais severa dos últimos 40 anos.

Por isso, entidades criticam a falta de preparo do governo, tendo em vista a previsão de estiagem que já havia sido feita para 2020 —e que deve durar quatro anos.

"Falar em boi bombeiro para justificar tamanha crise é equivocado, além do efetivo bovino ter crescido no bioma, isso desvia o foco dos reais responsáveis pela situação”, afirma Cristiane Mazzetti, gestora ambiental do Greenpeace.

“Diante de um cenário já previsto de seca severa, com focos de calor muito superiores à média desde março de 2019, não foram tomadas medidas efetivas de combate e prevenção aos incêndios, necessárias desde o primeiro semestre. Se não tivesse ocorrido um desmonte da gestão ambiental no Brasil, a situação não teria chegado a este nível de gravidade”, afirma.

Outros presentes na audiência do Senado também reclamaram da visão "divulgada na mídia" que trataria a agricultura e a pecuária como "vilões dos crimes ambientais".

"Existe toda uma comoção pública em relação ao Pantanal, a questão dos prejuízos à biodiversidade, a questão dos danos ocorridos na região", disse Rodrigo Justus,consultor de meio ambiente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura).

"Quando nós constatamos os dados, nós vemos que os produtores rurais detêm a grande maioria das áreas do Pantanal. Então, diretamente, são os maiores prejudicados", afirmou, também acrescentando que sua própria família teve uma fazenda praticamente toda consumida pelo fogo.

A comissão no Senado é considerada menos hostil para o governo Jair Bolsonaro (sem partido), pois conta com parlamentares da região ligados ao setor do agronegócio.

Por outro lado, a comissão instalada na Câmara para acompanhar as queimadas é formada por diversos deputados da oposição. A coordenação dos trabalhos, por exemplo, é da deputada Professora Rosa Neide (PT-MT).