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Se reabertura em SP virar vale-tudo, pode haver repique de Covid, dizem especialistas

·3 minuto de leitura
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP: 23.03.2021 - Registro das principais ruas e avenidas da cidade de São Paulo, durante o período de quarentena no estado. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP: 23.03.2021 - Registro das principais ruas e avenidas da cidade de São Paulo, durante o período de quarentena no estado. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O fim das restrições ao comércio e aos serviços em São Paulo, a partir de 17 de agosto, não pode ser sinônimo de abandono do uso de máscaras e do distanciamento social.

Para infectologistas, sem essas medidas de proteção o estado pode viver um repique da pandemia.

Nesta quarta-feira (28), o governador João Doria (PSDB) anunciou que não haverá mais limites de ocupação ou de horários nos estabelecimentos comerciais do estado a partir de 17 de agosto, quando prevê ter toda a população adulta vacinada com a primeira dose contra a Covid.

Apesar dos indicadores de internação e óbitos em queda no estado e do avanço da vacinação, especialistas dizem que o fim das restrições precisa ser acompanhado com cautela, especialmente devido à presença da variante delta no país.

Para eles, ainda não é possível estimar o potencial de risco da nova variante, que é mais transmissível. Em outros países, essa linhagem do vírus fez o número de novas infecções subir rapidamente entre as pessoas que não estavam vacinadas.

"Acho arriscado fazer previsões para daqui três semanas. O cenário, especialmente pela presença da variante delta, é ainda incerto para esse tipo de previsão. A delta é uma ameaça constante", disse o infectologista Renato Kfouri.

O governador disse que a "retomada segura" no estado acontecerá com uma fase de transição, que começa já neste sábado (1º) e segue até 16 de agosto. Nesta etapa, os estabelecimentos podem funcionar até 0h e com 80% de ocupação.

"Tenho medo de abrir demais e possibilitar a disseminação da variante delta. Eu seria mais cauteloso. Não diria que esse é o tempo errado, mas acho pouco cauteloso adotar esse tipo de medida no momento em que o mundo está retomando restrições", disse Renato Grinbaum, infectologista e consultor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia).

Eles destacam que as taxas de contaminação no estado continuam altas, apesar das quedas consecutivas nos números de internação e óbito. Por isso a necessidade de que a população mantenha o uso de máscara e evite aglomerações.

"O avanço da vacinação já trouxe resultados, que foram a queda nas internações e óbitos, mas as taxas de transmissão ainda continuam altas. A flexibilização não pode ser um vale-tudo, precisamos manter os cuidados", disse Kfouri.

Mesmo com a queda dos indicadores da pandemia, o Brasil já teve em julho 33.660 mortes por Covid-19. O número é superior ao registrado no mesmo mês do ano passado, o pior da pandemia em 2020, quando foram 32.912 óbitos.

"É difícil comparar esses dois períodos, pois se trata de momentos diferentes de expansão do vírus e da presença de variantes. Ainda assim, não podemos ignorar que estamos com uma média altíssima de mortes, não podemos abandonar os instrumentos que temos para proteção", diz Jamal Suleiman, infectologista do Instituto Emílio Ribas.

Para o virologista Maurício Lacerda Nogueira, professor da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, com a progressão do calendário vacinal na população adulta, a flexibilização poderia ter sido programada para quando mais pessoas estivessem imunizadas com a segunda dose.

"Há uma descendência muito clara dos indicadores, mas ainda em um patamar alto. Estamos longe de ver uma redução sustentada da transmissão, por isso precisamos alertar a população para a importância de continuar usando máscara."

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