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"Se provarem que cloroquina é placebo, pelo menos eu não matei ninguém", diz Bolsonaro

Marcelo Freire
·3 minuto de leitura
Bolsonaro em live com o presidente da Anvisa (Reprodução)
Bolsonaro em live com o presidente da Anvisa (Reprodução)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez sua defesa habitual da hidroxicloroquina e de outros medicamentos sem comprovação científica para o tratamento do coronavírus durante sua live semanal nesta quinta-feira (4).

Segundo ele, caso algum estudo futuro aponte a falta de eficácia desses medicamentos no tratamento da covid-19, ele pedirá desculpas. "Pelo menos eu não matei ninguém", completou o presidente.

Ele voltou a citar supostos estudos que apontam que a hidroxicloroquina é eficaz na cura dos pacientes e afirmou que quem foi contra o seu uso poderia ser responsabilizada por mortes na pandemia - um discurso parecido com o que fez na semana passada.

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"Se não faz mal, não provoca arritmia, por que não tomar?", questionou Bolsonaro, argumentando que ele mesmo utilizou a medicação quando contraiu o vírus. "Vai chegar a hora de falar se tem eficácia ou não. Ouvi alguns estudos que falam em 70% de cura. Se estamos com mais de 200 mil mortos, então 140 mil pessoas teriam sido salvas. Vai ficar com cara do quê esse pessoal?", provocou.

Em meio a ataques contra a imprensa e adversários políticos, Bolsonaro levantou a hipótese de que esses medicamentos sejam considerados ineficazes, mas afirmou que ele não teria responsabilidade sobre as mortes.

"Pode ser que, lá na frente, falem que a chance é zero, que era um placebo. Tudo bem, me desculpe, tchau. Pelo menos não matei ninguém", afirmou o presidente. "Agora, se porventura mostrar eficácia, você que criticou, parte da imprensa, vai ser responsabilizada. Pelo menos moralmente. E aí? Vão continuar me chamando de genocida?", atacou.

Presidente da Anvisa não opina sobre "tratamento precoce" e diz que tomará vacina

Na live desta quinta, Bolsonaro contou com a presença de Antonio Barra Torres, presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que comentou o trabalho da agência na análise das vacinas contra o coronavírus.

Pouco antes da defesa do "tratamento precoce", como Bolsonaro e o governo classificam o uso de medicamentos sem eficácia comprovada para tratar a covid-19, ele questionou Barra Torres sobre a possibilidade de médicos receitarem remédios off-label para pacientes tratarem algumas doenças, em alusão à utilização da hidroxicloroquina e de outros produtos contra o coronavírus.

O presidente da Anvisa, que é médico, esclareceu sobre o conceito do tratamento off-label, mas não opinou sobre os medicamentos. "É o tratamento que não está previsto na bula. Existe como prática médica há muitos anos", disse, citando publicações recentes da Associação Médica Brasileira e do Conselho Federal de Medicina que detalham esse tipo de tratamento.

Barra Torres, no entanto, não opinou sobre o assunto. "Este não é um tema da atividade regulatória, da Anvisa, não atuamos nessa seara."

Ao introduzir o tema, Bolsonaro chegou a dizer que a vacina era "algo novo, tanto que é experimental". Barra Torres esclareceu que "nesta fase, os dois protocolos [para as vacinas da AstraZeneca e CoronaVac] são de uso emergencial. Vai tender ao uso amplo quando isso for pedido. A AstraZeneca já pediu", ressaltou.

Já no final da live, Barra Torres defendeu o uso de qualquer vacina que foi aprovada pela Anvisa, mesmo para uso emergencial, e disse que se imunizaria logo após os grupos prioritários.

A posição dele se contrasta à de Bolsonaro, que já se disse desconfiado das vacinas e afirmou, inclusive, que não iria se vacinar.

"Assim que tiver a possibilidade, eu estarei na fila do posto de saúde para tomar a vacina", disse o presidente da Anvisa.

"Você vai se vacinar?", perguntou Bolsonaro. "Eu vou, claro", respondeu Barra Torres.

Bolsonaro disse que o acompanharia. Em seguida, esclareceu: "eu vou te acompanhar, não. Eu vou ver você ser vacinado".

"Já é um caminho, já é um início", respondeu o presidente da Anvisa. Em seguida, ele disse que vai tomar a vacina "que tiver no posto". "Não me interessa qual. E agora o presidente vai me acompanhar", concluiu Barra Torres.

Bolsonaro, na sequência, brincou com o chefe da Anvisa perguntando se ele mesmo poderia vaciná-lo, antes de encerrar a transmissão da live.