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Se o presidente diz que vai desrespeitar decisão judicial, pode também atropelar o BC, afirma Loyola

·4 minuto de leitura
*** FOTO DE ARQUIVO *** SÃO PAULO, SP, 03.09.2014 -  O economista Gustavo Jorge Laboissière Loyola participa de  coquetel e concerto em comemoração aos 90 anos do Itaú Unibanco, maior banco privado brasileiro, nesta quarta-feira (3) na Sala São Paulo (centro). Sob regência do francês Louis Langrée, a Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) vai interpretar a Sinfonia nº 7 de Beethoven e o Concerto nº 1 Para Piano de Brahms, com a participação da pianista francesa Hélène Grimaud. (Foto: Bruno Poletti/Folhapress)
*** FOTO DE ARQUIVO *** SÃO PAULO, SP, 03.09.2014 - O economista Gustavo Jorge Laboissière Loyola participa de coquetel e concerto em comemoração aos 90 anos do Itaú Unibanco, maior banco privado brasileiro, nesta quarta-feira (3) na Sala São Paulo (centro). Sob regência do francês Louis Langrée, a Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) vai interpretar a Sinfonia nº 7 de Beethoven e o Concerto nº 1 Para Piano de Brahms, com a participação da pianista francesa Hélène Grimaud. (Foto: Bruno Poletti/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A autonomia do Banco Central contribui para reduzir o risco de interferência política, mas não o elimina completamente, diz Gustavo Loyola, ex-presidente da autoridade monetária.

Para Loyola, hoje diretor-presidente da Tendências Consultoria, o risco de interferência é baixo, mas existe.

"Se o presidente [Bolsonaro] diz que vai desrespeitar decisão judicial, pode também atropelar o BC. Em um contexto em que o chefe do Executivo não parece propenso a respeitar as instituições, o risco de a autonomia do BC ficar no papel aumenta."

Em vigor desde fevereiro e referendada em agosto pelo STF (Supremo Tribunal Federal), a autonomia do Banco Central tem como principal ponto a determinação de mandatos fixos de quatro anos ao presidente e aos diretores da autarquia.

O mais forte argumento a favor do modelo de gestão se baseia no fato de o mandato fixo ter como objetivo blindar o BC de interferências políticas.

Loyola diz acompanhar com preocupação a evolução do quadro político no país, bem como as perspectivas que apontam para uma disputa bastante polarizada em 2022. Um risco crescente a cada dia, afirma, é o de o governo lançar mão de medidas populistas para tentar melhorar sua posição na corrida pelo Planalto, à custa da responsabilidade fiscal.

"E o segundo risco é o da volta do ex-presidente Lula, que não é muito positivo do ponto de vista econômico, depois do desastre que foi o governo da ex-presidente Dilma Rousseff no campo da economia."

Seja como for, diz Loyola, o fato é que é muito difícil fazer qualquer tipo de projeção sobre o cenário para o Brasil a partir de 2023.

"Pessoalmente, acredito que as instituições vão resistir e a nossa democracia vai ultrapassar essa dificuldade, mas podemos ter um resultado eleitoral que não seja muito positivo em termos de retomada do crescimento da economia a partir de 2023."

Para ele, a terceira via é factível e pode ser promissora, o que não quer dizer que seja fácil. "Depende de ser trabalhada para que ocorra, não vai cair do céu, é uma responsabilidade das lideranças políticas."

Em relação às recentes declarações do presidente do BC, Roberto Campos Neto, de que não iria reagir aos dados de alta frequência de inflação, Loyola assinala que, após a divulgação do IPCA de agosto (0,87%) bem acima do previsto, começou a se formar entre os agentes no mercado a percepção de que a autoridade monetária teria de acelerar o ritmo de alta da Selic.

O Copom (Comitê de Política Monetária) se reúne na próxima quarta-feira (22), quando deve anunciar novo aumento na taxa básica de juros.

"As declarações do Roberto Campos foram para tentar diminuir a expectativa de que o BC iria dar um aumento mais forte na próxima reunião do Copom", diz o economista. Ele lembra que o presidente do BC disse também que faria o que fosse necessário para a inflação voltar para a meta em 2022. "Acho que o que o Roberto tentou fazer foi uma espécie de sintonia fina da comunicação do BC."

Na avaliação de Loyola, a alta de um ponto percentual na reunião desta semana é a decisão mais adequada a ser tomada pelo Copom.

"Claro que o BC tem a opção de acelerar a alta para 1,25 ou 1,5 ponto, mas manter o aumento em 1 ponto me parece o mais prudente", diz Loyola. Ele prevê a Selic em 8,25% no fim de 2021, se mantendo nesse patamar durante todo o ano que vem.

O economista afirma que vê uma situação conjuntural delicada, diante de uma inflação resiliente e alta, com um risco cada vez maior de racionamento, além das incertezas trazidas pelo quadro político. "É meio que um quadro de estagflação, com a economia dando sinais de baixo crescimento, e, ao mesmo tempo, a inflação muito alta."

Trata-se de um ambiente complexo para a atuação do BC, que, se descuidar da inflação, poderá perder o controle e lá na frente vai custar mais caro para fazer os preços voltarem para o leito normal. E, se exagerar na dose, complicará uma situação já difícil do ponto de vista da atividade e do emprego, diz Loyola.

"É mais uma arte do que uma ciência."

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