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Se negócio não é ESG, acaba em cinco anos, diz gestora com US$ 600 bi em ativos

·3 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com US$ 600 bilhões (cerca de R$1,2 trilhões) no mundo, a gestora Brookfield é taxativa quando o assunto é a adoção de critérios ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) na escolha dos projetos. "Se o negócio não é ESG, não é sustentável", diz o presidente da Brookfield no Brasil, Henrique Martins. "É um negócio que dentro de cinco ou dez anos acaba, e o custo da dívida vai ser maior", diz o executivo.

Martins participou, nesta quarta-feira (26), segundo e último dia do CEO Conference Brazil 2021, evento promovido pelo banco BTG Pactual, de um painel sobre o futuro da infraestrutura no país.

Só no Brasil, a Brookfield tem R$ 120 bilhões em ativos sob sua gestão. Entre 2021 e 2023, ela tem contratados R$ 30 bilhões em projetos dos mais diversos setores -geração de energia renovável, transmissão de energia, transporte de gás, infraestrutura de dados (data centers), rodovias, ferrovias e saneamento.

Neste último, Martins vê grandes oportunidades para os próximos anos. "O Brasil joga 6 mil piscinas olímpicas de esgoto ao ano nos rios", afirma. "É uma necessidade urgente de investimento", diz ele, que também chama a atenção para o gargalo em fibra ótica e 5G.

Para Martins, o Brasil precisa adotar um modelo regulatório robusto nos mais diferentes setores para dar tranquilidade aos investidores, tanto brasileiros quanto estrangeiros. "Precisamos de estabilidade, uma matriz de risco adequada e respeito aos contratos", afirmou.

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, que também participou do evento, afirmou que, apesar da pandemia, o Brasil tem avançado em pontos importantes para atração de capital. Citou os novos marcos legais do saneamento e do gás, e privatizações, como a da Cedae, a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro. "Tudo isso vem abrindo espaço para grandes fundos [de gestão de ativos] no Brasil", afirma.

Em meio ao escrutínio mundial ao qual o país vem sendo submetido nos últimos meses, envolvendo a derrubada da floresta amazônica e a extração ilegal de madeira, o ministro da Infraestrutura afirmou que o país precisa assumir um "protagonismo ambiental".

"Todos nós sabemos que o risco financeiro estará, cada vez mais, atrelado ao risco ambiental", diz Freitas, que defendeu o investimento em infraestrutura atrelado à preservação do meio ambiente. "Queremos mais projetos aptos à geração de green bonds", afirma o ministro, referindo-se aos títulos de dívida que só podem ser usados para financiar investimentos considerados sustentáveis.

Para Luís Henrique Guimarães, presidente da Cosan, que reúne empresas como Raízen, Compass, Moove e Rumo, o foco do grupo está na "potência verde". "Temos uma grande capacidade de geração de créditos de carbono, que podem ajudar clientes e fornecedores a reduzir o seu impacto ambiental", afirmou o executivo.

O grupo acompanha com atenção os projetos de conversão de ônibus e caminhões a gás, mercado que deve avançar ainda mais nos próximos anos. "É um mercado que deve se desenvolver a partir dos investimentos em infraestrutura, que permitam o aumento da oferta e tornem o produto mais barato".