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'Se não fossem as pessoas ligarem para a polícia, eu não ia ligar', diz professora atropelada por vereador do PT de Fortaleza

·5 min de leitura

“Se não fossem as pessoas ligarem para a polícia, eu não ia ligar”. A frase foi dita pela professora Cícera Fernanda Sousa do Nascimento, de 36 anos, na Delegacia de Proteção à Mulher de Fortaleza. Ela acusa o vereador Ronivaldo Maia (PT) de atropelamento proposital depois de uma forte discussão entre os dois dentro do carro. Ela contou aos policiais que, muito alterado, o político, com quem manteve um relacionamento por 10 anos, a arrasou pela rua, por umas “três casas”, estima, até que ela caiu no chão. O veículo passou por cima de seu pé, afirmou no inquérito, ao qual o GLOBO teve acesso, e ela quebrou o pulso e perdeu parte do tecido da mão.

No relato, ela disse que a briga aconteceu por causa de uma dívida de R$ 1,6 mil, que Ronivaldo exigia que ela pagasse. Embora estivessem separados, os dois ainda se encontravam devido a “questões práticas” e a dívidas em comum. O vereador, que teve a prisão preventiva decretada pela Justiça, responde por tentativa de feminicídio. Ele nega as acusações: a assessores admitiu o bate-boca, mas afirmou que Cícera tentou quebrar seu para-brisa e, ao arrancar para sair do local, a derrubou acidentalmente. O PT instaurou um procedimento disciplinar contra o Ronivaldo.

O parlamentar é formado em história pela Universidade Estadual do Ceará (Uece) e até hoje dá aulas no Colégio Monsenhor Helio Campos, no bairro Cristo Redentor. A notícia de envolvimento dele num caso de agressão de tamanha gravidade deixou em choque os funcionários da Câmara Municipal porque ele era considerado um homem cordial, tranquilo e bem-humorado. Uma das bandeiras do vereador, que está em seu quarto mandato, é justamente o combate à violência contra a mulher. Ele começou na vida pública como líder estudantil e, em 2009, ganhou uma eleição pela primeira vez. O advogado do vereador, Hélio Leitão, que já foi secretário de Justiça e Cidadania do Ceará, critica a decisão judicial que converteu a prisão em flagrante de Ronivaldo em preventiva. Ele entrará com um pedido de habeas corpus em favor do político porque considera que ele atende a todas as condições para responder pela acusação em liberdade.

- Ele é uma personalidade pública, sem máculas em sua vida pessoal e profissional. O que está acontecendo mais uma vez no país é a banalização da prisão preventiva, que não deve ter caráter punitivo. Até porque ele ainda não é acusado formalmente de nada. Mas só vamos falar sobre o conteúdo da denúncia quando traçarmos nossa linha de defesa, o que ainda não queremos antecipar - afirmou.

Cícera é professora como Ronivaldo e, segundo seu currículo profissional, cursou licenciatura em Português, fez mestrado em Linguística Aplicada, também na Uece e desenvolve pesquisa na área de "Análise de Discurso Crítica: representações, ideologias e letramento". Em suas delcarações, na Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza, ela afirmou que nunca tinha visto Ronivaldo tão nervoso e teve medo. Durante a discussão no carro, em que ela se recusou a pagar a dívida questionada pelo vereador, ele a teria empurrado para fora do veículo. Com raiva, ela conta que deu a volta para destruir o para-brisa e foi surpreendida pela reação do ex-companheiro. Cícera diz que ele arrancou com o carro e foi empurrando seu corpo “por umas três casas” até que caiu. Enquanto era socorrida por um homem, ela relata ter visto Ronivaldo continuar dirigindo e parar mais à frente. A polícia diz que ele foi preso em flagrante, naquela mesma noite, no último dia 27 de novembro, em num posto de gasolina no mesmo bairro.

Cícera conta outros detalhes no depoimento. Antes de buscar ajuda médica, ela relatou ter voltado para a casa e se recorda do chão muito sujo de sangue. Ronivaldo, segundo ela, também retornou e parecia arrependido. A professora disse ter chamado a atenção dele para o estado em que tinha ficado. Nas palavras dela, Ronivaldo teria dito: “Como você deixou eu fazer isso com você?”

Neste momento, Cícera conta que ficou com medo de que algo mais grave pudesse acontecer com Ronivaldo já que moradores tinham assistido às cenas e chamado a polícia. Ela pediu que o vereador fosse embora. Cícera reconheceu temer que o escândalo respingue nela por Ronivaldo ser uma figura púbica. De acordo com a professora, o caso, contra a sua vontade, veio à tona porque os ferimentos eram visíveis e a situação ficara fora de controle. As cenas relatadas no inquérito se passaram dentro do carro de Ronivaldo no bairro Conjunto Ceará e teria sido vista por testemunhas, como o homem que lhe prestou socorro. Procurada, Cícera apenas disse que está muito machucada, sente muitas dores e não tem neste momento condições "físicas ou emocionais" de falar sobre o assunto.

Ronivaldo, que sempre conciliou a carreira no legislativo muncipal com a magistratura, foi presidente da Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização (Emlurb), durante a gestão da prefeita Luiziane Lins (PT). A carreira política começo na militância estudantil. Ele despontou como liderança à frente da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Fortaleza, entidade que presidiu aos 17 anos. O primeiro mandato como vereador teve início em 2009. Atualmente, além da atividade parlamentar, ele dava aula no Colégio Monsenhor Hélio Campos, no bairro Cristo Redentor. Não se sabe se Cícera dá aulas na mesma unidade.

Assim que o caso se tornou público, a assessoria do vereador afirmou não comentaria as acusações mas destacou que Ronivaldo, ao longo de sua trajetória, carrega em uma de suas principais bandeiras a defesa da mulher. "Lembramos que o parlamentar luta pelos direitos das mulheres, em especial as que sofrem violência doméstica, tendo inclusive diversos projetos de lei nesse sentido", afirma o comunicado, que foi alvo críticas nas redes sociais pelo fato de usar a militância partidária como defesa.

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No último dia 25, em sua conta no Instagram, Ronivaldo escreveu sobre a campanha UNA-SE, "pelo fim da violência contra as mulheres e meninas - vida e dignidade para todas". Após se reunir na manhã de terça-feira, a direção da Executiva Municipal do PT decidiu pela suspensão imediata da filiação do vereador Ronivaldo Maia e a constituição de uma comissão paritária no âmbito do partido, com igual representação de homens e mulheres, para a apuração disciplinar dos fatos. Ronivaldo é casado e tem dois filhos.

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