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'Se eu não fosse presidente da Câmara, minha atitude contra Bolsonaro seria muito mais dura', diz Maia sobre impeachment

João de Mari
·2 minuto de leitura
Brazil's Lower House Speaker Rodrigo Maia speaks during a key vote by the lower chamber on whether to suspend President Michel Temer and put him on trial over an alleged bribery scheme to line his pockets, in Brasilia, Brazil, Wednesday, Aug. 2, 2017. Temer appeared to have the upper-hand and is confident he can survive bribery charge vote. (AP Photo/Eraldo Peres)
Maia respondia questionamentos sobre o processo de impeachment do presidente que já conta com mais de 60 pedidos de impeachment protocolados na Câmara (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)

O deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) afirmou nesta terça-feira (23) que caso não fosse presidente da Câmara, no ano passado, teria tomado uma atitude diferente em relação ao processo de impeachment de Jair Bolsonaro (sem partido).

“Uma coisa é ser deputado de oposição, outra é ser presidente da Câmara. Se eu não fosse presidente, minha atitude no ano passado contra o Bolsonaro seria muito mais dura do que foi, porque meu papel era institucional também”, disse Maia em entrevista ao UOL.

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O ex-presidente da Câmara ainda avaliou que seu mandato como chefe da Casa foi “duro” com o presidente da República. Maia considera que foi o primeiro a críticar Bolsonaro, inclusive “antes da esquerda e artistas”, como ele mesmo ressaltou.

“Em relação ao Bolsonaro, fui muito duro, fui o primeiro a criticá-lo em 2019 quando todo mundo tinha medo, inclusive a esquerda e artistas. Eu disse que o governo dele era um deserto de ideias, que ele tinha que sair da internet e governar”.

Maia respondia questionamentos sobre o processo de impeachment do presidente que já conta com mais de 60 pedidos de impeachment protocolados na Câmara.

O parlamentar, no entanto, afirmou ainda que um impeachment neste momento geraria uma polarização, o que, segundo ele, "é tudo o que o Bolsonaro precisa e tenta fazer todos os dias" pois ia tirar da pauta a pandemia.

IMPEACHMENT

Na visão dele, que foi o responsável por tocar o processo para tirar a ex-presidente Dilma Roussef (PT) e que também teve a chance de abrir um processo de impeachment contra o ex-presidente Michel Temer (MDB), as situações em que o país vivia eram diferentes.

No caso de Dilma, o deputado disse acreditar que “além da pedalada fiscal, o governo tinha perdido as condições políticas de governar o Brasil. “Tinha meu conhecimento pessoal e votei assim [a favor do impeachment]”, disse.

Já em relação ao Temer, Maia afirmou que tinha uma convivção de que as investigações contra o ex-presidente eram “um excesso” e que estava comprovado que os “procuradores da lava jato cometiam excesso”.

“Ainda vou escrever um livro sobre esse período do governo do Temer. Eu seria o beneficiário com a queda do Temer, pela denúncia, pelo menos por seis meses, e o Brasil ficaria ingovernado. Primeiro pela peça em relação ao Temer, que depois se revelou um absurdo [processo de investigação da Lava Jato] e segundo do ponto de vista institucional. Conduzi da forma correta para que o país pudesse chegar em um eleição em 2018”, concluiu.