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Scorsese critica mais uma vez a “zona de conforto” da Marvel

Claudio Yuge

Bem, a essa altura, você deve estar ciente que cineastas de renome da “velha guarda”, como os premiados Martin Scorsese e Francis Ford Coppola, não têm gostado dessa onda heróica que vive o cinema já há quase 20 anos. Scorsese, que em breve lança The Irishman pela Netflix, voltou a falar do assunto — e, veja só, dessa vez foi mais brando e abrangente, explicando melhor sua definição de cinema.

Aos 76 anos, ele disse que cresceu em um tempo que as franquias não dominavam os cinemas e os diretores se permitiam mais riscos do que ele vê atualmente na “zona de conforto” da Marvel. “Muitos dos elementos que definem o cinema como eu o conheço estão nos filmes da Marvel. O que não existe é revelação, mistério ou perigo emocional genuíno. Nada está em risco. As imagens são feitas para satisfazer um conjunto específico de demandas e são projetadas como variações em um número finito de temas”, comentou.

(Imagem: Reprodução/Facebook)

Ele continuou: “São sequências, em forma de nomes, mas são refeitas em espírito, e tudo nelas é oficialmente sancionado porque não pode realmente ser de outra maneira. Essa é a natureza das franquias modernas de cinema: pesquisadas no mercado, testadas pelo público, avaliadas, modificadas, revestidas e remodeladas até que estejam prontas para o consumo”.

Scorsese reclama novamente de falta de opções

Em certo momento de sua entrevista ao The New York Times, o diretor até mesmo disse que, se estivesse começando a trabalhar nos dias de hoje, provavelmente iria querer fazer seu próprio filme de super-heróis como os da Marvel. Mas como ele vem de uma geração diferente, faz parte de seu papel como veterano destacar o que falta nesse cenário.

Ele citou como exemplo artistas como "Paul Thomas Anderson, Claire Denis, Spike Lee, Ari Aster, Kathryn Bigelow ou Wes Anderson", que fazem títulos "absolutamente novos" e o levam "a áreas inesperadas e talvez até inomináveis de experiência". "Então, você pode perguntar: qual é o meu problema? Por que não deixar filmes de super-heróis e outros filmes de franquia?”

The Irishman está para chegar à Netflix (Imagem: Reprodução/Netflix)

Sua maior preocupação é a falta de opções que esse cenário propõe. “O motivo é simples. Em muitos lugares deste país e do mundo, os filmes de franquia são agora a sua principal escolha, se você quiser ver algo na tela grande. É um período arriscado na exibição de filmes e há menos cinemas independentes do que nunca. A equação mudou e o streaming se tornou o principal sistema de entrega. Ainda assim, não conheço um único cineasta que não queira projetar filmes para a telona, perante ao público nos cinemas", afirmou.

Mark Ruffalo, que já trabalhou com Scorsese, responde críticas

No domingo (3), o intérprete de Hulk/Bruce Banner no Universo Cinematográfico Marvel (MCU, em inglês) falou sobre a bronca de Scorsese com os “parques temáticos” do Marvel Studios enquanto recebia o prêmio Hollywood Blockbuster Awards, na 23ª edição do Hollywood Film Awards, por Vingadores: Ultimato.

“Eu trabalhei com Marty. Eu amo Marty. Espero que ele consiga ver o filme (Vingadores: Ultimato) um dia, porque muitos de nós, como cineastas, realmente o roubamos e aprendemos muito com ele. Acho que ele verá como é uma espécie de homenagem ao cinema que ele criou no passado”, comentou Ruffalo.

Mark Ruffalo e Victoria Alonso (Imagem: Reprodução/Entertainment Tonight)

A vice-presidente de produção do Marvel Studios, Victoria Alonso, complementou que todos respeitam muito Scorsese. “Existe uma grande quantidade de respeito que temos por ele como cineasta e trabalhamos muito duro para fazer filmes para todos. Vamos trabalhar ainda mais. Talvez um dia ele goste do que fazemos”, projetou.

"O que realmente fala às pessoas sobre esses filmes, eu acho, é o coração e a humanidade dos personagens", disse Ruffalo à multidão no evento. "É isso que torna tão poderoso assistir a Vingadores: Ultimato — esses personagens que se preocupam com o mundo ao seu redor… vê-los lutar e sobreviver e, às vezes, até dizer adeus. É isso do que o cinema é feito”, finalizou.

Fonte: Canaltech

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