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Sauditas e russos em lados opostos antes de reunião de Opep+

Grant Smith, Salma El Wardany e Javier Blas
·2 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Arábia Saudita e Rússia mais uma vez entram em uma reunião da Opep+ em lados opostos de um debate crucial sobre o mercado de petróleo.

O governo saudita têm pedido publicamente que outros membros sejam “extremamente cautelosos”, apesar da recuperação dos preços para o maior nível em um ano. Nos bastidores, o reino sinalizou que prefere que o grupo mantenha a produção estável, disseram os delegados. O governo de Moscou, por outro lado, tem indicado que ainda quer prosseguir com o aumento da oferta.

As posições refletem as posturas das reuniões recentes, mas, desta vez, os sauditas têm uma nova moeda de troca - 1 milhão de barris por dia de cortes voluntários. O reino se comprometeu a fazer esses cortes extras apenas em fevereiro e março, mas alguns veem sinais de que isso poderia mudar à medida que as negociações começarem.

“A questão-chave para mim é como eles devolvem os barris sauditas”, disse Bill Farren-Price, diretor da empresa de pesquisas Enverus e observador veterano do cartel. O reino poderia potencialmente usá-los como “alavanca para fechar um acordo”, disse.

Moeda de troca

Dez meses depois de reduzir a produção de petróleo quando a Covid-19 esmagou a demanda global, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados ainda mantêm 7 milhões de barris por dia fora do mercado, ou cerca de 7% da oferta global.

Tem sido um sacrifício, pois membros como o Iraque e Nigéria sofrem o impacto das exportações em queda. Mas produziu resultados, com os preços acima de US$ 65 o barril em Londres e como apoio às receitas reduzidas dos produtores.

Segundo a maioria das estimativas, com os cortes, a demanda por petróleo excedeu a produção neste ano por uma larga margem. A oferta ficou ainda mais apertada na semana passada devido à onda de frio no Texas que encolheu a produção dos EUA.

Quando a Opep+ se reunir em 4 de março, o grupo discutirá se fornecerá mais petróleo ao mercado em abril e precisará tomar duas decisões cruciais.

Primeiro, o grupo deve decidir se vai restaurar até 500 mil barris por dia, o próximo passo em uma retomada gradual da produção que foi acordada em dezembro, mas suspensa na reunião de janeiro.

Em segundo lugar, a Arábia Saudita deve determinar o destino de 1 milhão de barris extras por dia de cortes voluntários extras neste mês e no próximo para ajudar a enxugar os estoques excedentes ainda mais rapidamente.

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