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Saudita Aramco continua no azul apesar da queda de lucro no 3o trimestre

Anuj CHOPRA
·2 minuto de leitura
Foto de arquivo de 12 de dezembro de 2019 mostra as ações da Aramco
Foto de arquivo de 12 de dezembro de 2019 mostra as ações da Aramco

O lucro líquido da gigante do petróleo saudita Aramco caiu 44,6% no terceiro trimestre de 2020, devido ao colapso da demanda e dos preços por conta da pandemia, embora a empresa continue no azul, ao contrário de seus concorrentes.

"O lucro líquido do terceiro trimestre de 2020 é de 44,21 bilhões de riais (cerca de US$ 11,79 bilhões)", contra os US$ 21,3 bilhões no mesmo trimestre em 2019, informou a empresa pública em um comunicado publicado nesta terça-feira (3), no site da bolsa saudita.

A Aramco explicou que esses resultados "refletem, principalmente, o impacto da queda dos preços de petróleo e dos volumes vendidos" durante o período de pandemia de covid-19, o que desacelerou a economia mundial.

Ainda assim, a joia da economia saudita colhe lucros, ao contrário de outros gigantes do setor, aproveitando-se de um custo de extração muito baixo e de reservas financeiras que lhe permitem resistir a uma queda dos preços.

O lucro líquido da empresa nos primeiros nove meses do ano caiu 48,6%, para cerca de US$ 35 bilhões.

Os resultados do período de julho a setembro mostraram, no entanto, uma melhora em relação ao segundo trimestre, no qual a empresa registrou um lucro de US$ 6,5 bilhões.

"Vimos os primeiros sinais de uma recuperação no terceiro trimestre, graças à melhora da atividade econômica, apesar das más condições enfrentadas pelos mercados mundiais de energia", declarou o diretor-geral da Aramco, Amin Nasser, citado no comunicado.

Ao todo, Aramco prometeu pagar dividendos de US$ 18 bilhões a seus acionistas no terceiro trimestre, montante que supera o lucro informado, de acordo com Amin Nasser.

Este anúncio responde ao compromisso assumido pela empresa, antes de seu IPO no ano passado, de pagar dividendos de 75 bilhões de dólares em 2020. 

A gigante do petróleo fez sua estreia na Bolsa em Riade em dezembro de 2019 após um IPO recorde, que gerou US$ 29,4 bilhões com a venda de 1,725% de suas ações. 

Aramco também reduziu seus gastos com investimentos este ano e cortou centenas de empregos para diminuir custos, informou Bloomberg em junho.

A empresa, no entanto, está se preparando para uma possível nova onda de infecções de covid-19, que pode ter um impacto na recuperação econômica global e corroer a demanda global por petróleo bruto, de acordo com analistas.

A Arábia Saudita, o maior exportador mundial de petróleo bruto, foi duramente atingida pelo duplo impacto da pandemia e pelo colapso dos preços do ouro negro. 

Uma queda brutal nas receitas do petróleo poderia prejudicar os planos ambiciosos do príncipe herdeiro Mohamed bin Salman, já que a diversificação da economia que ele defende deve ser financiada essencialmente por receitas de energia.

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