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Satélite pequeno como um micro-ondas irá à Lua em 2021; saiba o que ele fará

Daniele Cavalcante
·4 minutos de leitura

A NASA e seus parceiros comerciais estão terminando os preparativos para o lançamento do pequeno satélite CAPSTONE, que terá a missão de voar até a Lua e girar ao redor dela em uma órbita quase retilínea — a mesma órbita planejada para a estação lunar Gateway, que ajudará os astronautas em suas missões à Lua em meados desta década.

CAPSTONE é uma sigla para Cislunar Autonomous Positioning System Technology Operations and Navigation Experiment. Trata-se de um cubesat, ou seja, tem formato cúbico e mede mais ou menos o tamanho de um forno de micro-ondas, pesando apenas 25 kg. Durante sua missão principal de seis meses, o CAPSTONE vai mostrar pela primeira vez como é entrar nesse tipo de órbita, chamada NRHO.

Nesta órbita, o CubeSat percorrerá o espaço junto com a Lua, enquanto esta orbita a Terra. Trata-se de um percurso altamente elíptico: quando o CAPSTONE estiver em sua posição mais próxima da Lua, a distância entre os dois objetos será menos de 1.600 km de distância; quando estiver em sua posição mais longínqua, estará a cerca de 70.000 km afastado da superfície lunar.

Além de ser a primeira demonstração nesse tipo de órbita, o CubeSat também testará uma nova capacidade de navegação desenvolvida pela NASA. Com isso, a equipe espera coletar informações que vão ajudar a reduzir a incerteza logística da estação Gateway, que abrigará astronautas e fornecerá a eles acesso seguro à superfície da Lua. Em outras palavras, o CAPSTONE será de grande importância para mostrar à equipe científica quais obstáculos a futura estação deverá enfrentar quando estiver orbitando a Lua.

Outro recurso importante do CAPSTONE é um sistema de comunicação a bordo que permitirá saber a que distância o cubo está do Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), outra sonda da NASA, que circula a Lua desde 2009, mas em uma órbita bem diferente da NRHO. Isso servirá de teste para saber se essa tecnologia vai funcionar quando a NASA precisar localizar o espaço ocupado pela Gateway, por exemplo.

Contratempos e atrasos 

Em 2019, a previsão de lançamento desta missão era para dezembro deste ano. Entretanto, parece que imprevistos acabaram por forçar uma prorrogação no prazo, e a decolagem será início do próximo ano, a partir do Launch Complex 2, da Rocket Lab, no Porto Espacial Regional Mid-Atlantic em Wallops Island, Virginia. "O programa CAPSTONE em si tem pouco mais de um ano e estamos integrando ativamente uma nave espacial que será lançada no início do próximo ano", disse Bradley Cheetham, CEO e presidente da Advanced Space, empresa responsável pelo desenvolvimento e operação do satélite em parceria com a NASA.

(Imagem: Reprodução/NASA/Rocket Lab/Advanced Space)
(Imagem: Reprodução/NASA/Rocket Lab/Advanced Space)

Apesar do atraso, “as coisas com o CAPSTONE estão indo muito bem, considerando todas as coisas”, disse Cheetham. “Estabelecemos um cronograma de desenvolvimento muito ambicioso desde o início deste programa e temos trabalhado duro para manter nosso ímpeto por meio de bloqueios de estrada esperados e inesperados nos últimos meses”, relatou o CEO, referindo-se às medidas tomadas para a contenção da pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2). “Isso certamente complicou quase tudo em que estamos trabalhando”.

Quanto à missão em si, Christopher Baker, executivo do programa de tecnologia de pequenas espaçonaves da NASA, disse que algumas atualizações foram feitas. Entre elas, a agência espacial adicionou um relógio atômico do tamanho de um chip. O rádio e o software do CubeSat também foram aprimorados para melhorar as capacidades de navegação autônoma do CAPSTONE.

Após o lançamento, o satélite levará cerca de três meses para entrar em sua órbita incomum e iniciar uma fase de demonstração primária de seis meses. "Esta é uma oportunidade animadora para a NASA avançar agressivamente em direção à Lua, em parceria com várias pequenas empresas americanas, como uma vanguarda para a [missão] Artemis e sustentar a presença humana além da órbita baixa da Terra", disse Jim Reuter. administrador da Space Technology Mission Directorate, da NASA, em outra ocasião.

Fonte: Canaltech

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