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Sarney descarta assinar manifesto pela democracia e diz que já se pronunciou na ABL

***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 01.10.2019 - O ex-presidente José Sarney. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 01.10.2019 - O ex-presidente José Sarney. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ex-presidente José Sarney disse a aliados que não pretende assinar a Carta aos Brasileiros e Brasileiras em Defesa do Estado Democrático de Direito, que será lida na próxima semana em ato na USP (Universidade de São Paulo).

Segundo declarou a dois interlocutores consultados pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, Sarney não costuma assinar documentos dessa natureza e já se pronunciou sobre o assunto em um discurso em 20 de julho na ABL (Academia Brasileira de Letras).

Na ocasião, a Academia comemorava seus 125 anos, e Sarney foi o orador. Em seu discurso, ele destacou a importância de eleições livres, sob vigilância do STF (Supremo Tribunal Federal), como condição para a democracia.

"Infelizmente, não é só a cultura brasileira que precisa, neste momento, ser defendida. Fui o presidente que conduziu a transição democrática, tenho a responsabilidade pessoal de defendê-la. Ela se consolidou pela prática continuada de eleições livres, sob a vigilância segura do Supremo Tribunal Federal", disse, sob aplausos dos presentes.

Ele defendeu ainda a liberdade do Judiciário para exercer suas responsabilidades, sob pena de ameaçar a democracia.

"Garantir que o Judiciário exerça em plenitude suas responsabilidades é absolutamente necessário para que a democracia prevaleça. O Brasil precisa se unir em torno deste objetivo."

A emissários que tentaram nesta sexta-feira (5) convencê-lo a aderir à carta, o ex-presidente afirmou que nunca assinou um manifesto.

Apesar da negativa, os organizadores do manifesto ainda alimentam a esperança de ele mudar de ideia. Sarney foi o presidente que conduziu a redemocratização do país.

Dos ex-presidentes, assinaram o documento Dilma Rousseff (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Já Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda avalia subscrevê-lo.

Aliados do petista têm estimulado sua adesão ao movimento, sob o argumento de que está afastado o risco de o gesto ser interpretado como eleitoreiro.

Michel Temer (MDB) e Fernando Collor (PTB) tampouco assinaram a carta até o momento.

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