Mercado fechado

Saqueadores destroem sacas de soja de US$ 100 mil na Argentina

Jonathan Gilbert
·2 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Os silos-bolsas, com 60 metros de comprimento e repletos de soja recém-colhida, marcam a paisagem do Pampa argentino nesta época do ano e têm um valor considerável: quase US$ 100 mil por unidade nos preços atuais.

Por isso, quando vândalos começaram a se infiltrar nas fazendas na calada da noite para abrir os silos com facas, expondo o conteúdo à umidade e tornando-os inúteis, os agricultores ficaram atentos. Esse tipo de incidente ocorre há vários anos, dizem, mas nunca no ritmo atual. Os ataques ocorreram em uma rápida sequência nos últimos meses, elevando o total no ano para mais de 150, de acordo com associações do setor.

Há muitas teorias sobre o que está por trás dos ataques. Muitas giram em torno da crescente tensão entre o governo de esquerda de Buenos Aires e ricos agricultores do interior. Segundo a teoria mais popular, os ataques são realizados por fanáticos pró-governo para assustar agricultores e levá-los a exportar soja - gerando os dólares tão necessários ao país, onde há falta de notas - em vez de guardarem os grãos por meses como proteção contra a desvalorização da moeda e inflação galopante. Autoridades do governo descartam a ideia por considerarem que não tem fundamento.

Seja qual for o motivo, os agricultores estão fartos. Na província de Córdoba, que concentra 25% da produção de soja do país, o ministro da Agricultura local está coordenando a implementação de um projeto-piloto para instalar alarmes nos silos-bolsas.

“O vandalismo está se comportando como um vírus que se expande, sem direção e sem discernimento, com a única premissa de causar dano pelo dano”, segundo comunicado das Confederações Rurais Argentinas.

Por duas décadas, os agricultores argentinos usaram os silos-bolsas para armazenar soja nos campos. Feitos de polietileno, os silos se tornaram um símbolo de tensão entre o agronegócio e um governo faminto por sua parte nos bilhões em divisas que os grãos rendem quando exportados.

O peso perdeu metade do valor nos últimos dois anos e, com políticas intervencionistas em alta, o estoque de soja volta aos níveis de uma década atrás, quando governo e agricultores tiveram um duro confronto.

O acúmulo também é uma pedra no sapato dos exportadores, que enviam mais farelo e óleo de soja da Argentina do que de qualquer outro lugar. A Archer-Daniels-Midland, que exporta grãos argentinos não processados, chamou a atenção para a questão na quinta-feira.

Destacando a natureza idiossincrática da agricultura na Argentina, os estoques de soja dos EUA devem atingir o menor nível em sete anos, quando a forte demanda chinesa e a seca na América do Sul elevam os preços futuros.

For more articles like this, please visit us at bloomberg.com

Subscribe now to stay ahead with the most trusted business news source.

©2020 Bloomberg L.P.