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Saque-aniversário do FGTS só vale a pena para pagar dívidas, dizem especialistas

LAÍSA DALL'AGNOL
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 13.09.2019: Agência da Caixa Econômica Federal em São Paulo, onde as pessoas realizam o saque imediato do FGTS. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)

Os brasileiros que este ano precisavam de um dinheiro extra podem ter se animado com os anúncios de possibilidades de saque do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

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O governo federal criou duas modalidades.

A primeira é o saque imediato, que permite o resgate de até R$ 500 por conta (ativa ou inativas). Desde dezembro, esse teto passou para R$ 998 para quem tem no máximo essa quantia em cada conta.

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Assim, quem se encaixa nessa regra e já havia retirado os R$ 500, começou a poder retirar a diferença de R$ 498.

A segunda (e menos compreendida) modalidade nova é o saque-aniversário. Aderindo a ele, o trabalhador poderá sacar, todos os anos, uma quantia parcial do seu saldo no FGTS.

Para especialistas, além de não compensar, a adesão é prejudicial ao trabalhador.

"O rendimento do FGTS sempre perdeu da poupança, porque era só de 3% ao ano mais TR (Taxa Referencial), hoje zerada. Quando o governo permitiu a distribuição do lucro, passou a valer mais a pena deixar o dinheiro no Fundo", diz Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor da Anefac (Associação dos Executivos de Finanças).

A não ser que a pessoa esteja endividada, precisando com urgência do dinheiro, o preferencial é deixá-lo no Fundo de Garantia rendendo, diz o economista.

"A regra é geral, vale tanto para quem está trabalhando, quanto para quem está prestar a se aposentar. O resgate não compensa."

Ainda que aplicações tenham rendimentos ligeiramente semelhantes ao do FGTS sem o lucro (CDB, Tesouro e a própria poupança), o trabalhador que opta pelo saque-aniversário, ou seja, que tira o dinheiro do Fundo para colocar nesse tipo de aplicação, deve ficar atento aos riscos.

"Ao sacar uma parcela do FGTS (com limites estreitos) o trabalhador perde o direito, por um tempo, de sacar o restante do Fundo na eventualidade de uma demissão. Portanto, só pelo motivo segurança, já compensaria manter o dinheiro imobilizado no FGTS", diz Rodrigo Sabattini, economista e professor da Facamp (Faculdades de Campinas).

Para o professor, mesmo que a remuneração do Fundo caia um pouco, manter o dinheiro compensa apenas pela segurança. Neste mês, o governo revogou a distribuição de 100% dos lucros e, por enquanto, não está definido qual será o novo percentual.

"Se fosse possível pelo menos sacar todo o fundo ativo, talvez valesse a pena resgatar e aplicar em outra coisa. Por exemplo, quando foi autorizado o saque de 100% dos valores inativos (no governo Temer), saquei tudo e diversifiquei,  pois era um valor que eu só teria de volta na aposentadoria (ou em caso de doença grave)", explica Sabattini. Agora, diz ele, como só poderia sacar uma pequena parte do Fundo, com o risco de não poder sacar o resto em caso de demissão durante uma "quarentena", decidiu que não vai sacar.

"Se eu conseguisse sacar R$ 100 mil, certamente deslocaria para outro tipo de investimento, como o Tesouro Direto, por exemplo. Mas, pela regra, poderia sacar apenas R$ 7.900 (5% de R$ 100 mil mais R$ 2.900). Se eu conseguisse aplicar R$ 7.900 a 10% ao ano (um valor hipotético muito maior do que um atual investimento), eu ganharia apenas R$ 790."

Sabattini explica que, no FGTS, com rendimento de 3% ao ano, o retorno dos R$ 790 seria, no mínimo, de R$ 237, sem contar o lucro. 

"Veja que a diferença entre as duas opções (exagerando o retorno dos R$ 790 fora do saque) é muito pequena: não vale o risco de não poder sacar os outros R$ 92.100 restantes do Fundo no caso de uma demissão."