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Santos não existem: a volta de Robinho

Mauro Beting
·2 minutos de leitura
O anúncio da quarta vez de Robinho no Santos - INSTAGRAM SANTOS
O anúncio da quarta vez de Robinho no Santos - INSTAGRAM SANTOS

Sou muito fã do Robinho.

No Santos ele foi essencial numa das mais espetaculares conquistas da história do clube, em 2002. Voltou brilhantemente em 2010 para ser tutor de Neymar (que ele quase havia conseguido levar para o Real Madrid em 2006).

Não gosto de misturar questões profissionais e pessoais. Em qualquer campo de atividade humana.

Mas quando um clube troca as bolas como faz o Santos (que estava proibido de contratar por conta das contas passadas e pesadas) ao contratar quem deveria ser proibido de ser contratado por estar condenado por estupro pela Justiça da Itália, fica difícil não condenar o negócio. Ainda mais quando o atleta quase que paga para reforçar mais uma vez o Santos, custando quase nada aos cofres. Mas custando uma imagem que não vale o investimento. Para todos os lados.

Robinho não precisa desse dinheiro. A idolatria pelo futebol dele não precisa desse resgate e desgaste.

O Santos não precisava disso tudo. As mulheres, as Sereias da Vila.

Em campo, pelo que já fez, pelo que ainda pode fazer nestes tristes trópicos, ele mais do que se paga.

Fora dele, a imagem do clube é afetada sem preço e apreço. E a ideia que passa não tem preço e nem prazo para prescrever.

Mas muito mais importante do que tudo isso é entender que o caso é gravíssimo. E, neste caso, como precisa ser, vai muito além de uma questão esportiva e jurídica e criminal.

O Santos contrata um crime hediondo. Normaliza o estupro. Releva por ser uma revelação que é ídolo um caso criminoso inafiançável. Relativiza algo intolerável.

Cabe recurso? O cidadão jura inocência? É uma tecnicalidade? Ele não merece a ressocialização? Tudo se pode questionar.

Mas por mais que Robinho tenha belíssima história no clube, o clube tem uma belíssima história de respeito que não pode ser conspurcada.