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Santander vê juros, dólar e inflação maiores e risco de agitações sociais, mesmo com auxílio

EDUARDO CUCOLO
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A economista-chefe do Santander Brasil, Ana Paula Vescovi, afirmou que a economia brasileira vai piorar antes de melhorar, com a formação de uma tempestade perfeita no final do primeiro semestre, marcada por desemprego recorde, contágio da pandemia ainda elevado, inflação bem acima da meta, moderação da atividade, inadimplência e recuperações judiciais em alta. Isso deve se refletir em queda na popularidade do governo, com possibilidade de agitações sociais e político-institucionais que podem adicionar nebulosidade às perspectivas macroeconômicas. Sem perspectiva de aprovação de reformas econômicas robustas, a expectativa é de manutenção do risco fiscal. O banco trabalha com a hipótese de criação de um programa temporário de transferência de renda com custo de R$ 25 bilhões, fora do teto de gastos, compensado por reformas que podem gerar alguma economia a partir do próximo ano e favorecem a manutenção do teto até 2024. Mais especificamente, a aprovação de uma PEC Emergencial que garanta pelo menos o congelamento de salários do funcionalismo por mais um ano. Em relação à pandemia, a instituição considera um cenário de agravamento associado à escassez de vacinas. Estima que cerca de metade da população brasileira estará imunizada no final do ano, considerando 59% da população vacinada com uma eficácia média de 60% das vacinas, além de algumas pessoas com imunidade adquirida por infecções anteriores. A imunização coletiva ficaria para 2022. A retomada de uma mobilidade "normal" se daria apenas no final de 2021. O banco projeta um dólar a R$ 5,20 no final de 2021 e R$ 5,40 no final de 2022. As projeções anteriores estavam abaixo de R$ 5,00. Também revisou a projeções de inflação de 3% para 3,6% neste ano e manteve os 3,2% projetados para 2022. Para o banco, a inflação será um dos itens detratores da confiança e do ambiente político e alcançará o pico de 7% no acumulado em 12 meses em junho, antes de convergir para a meta. A estimativa para a taxa Selic passou de 2,5% para 4% ao ano em dezembro de 2021. O banco manteve as projeções para a evolução do PIB em queda de 4,1% para 2020 e alta 2,9% para 2021, mas revisou para baixo a previsão para 2022: alta de 2,3%, contra 2,5% anteriormente. "A gente vai ter uma conjugação de fatores econômicos no segundo trimestre do ano, com essa queda de PIB sendo percebida, um desemprego muito alto, que pode chegar a 18 milhões de desempregados, a questão da rolagem da dívida, com o Tesouro rolando no primeiro semestre o que rolava em um ano. Enfim, uma conjunção de fatores que podem redundar também em uma perda de popularidade presidencial nesse período", afirmou Vescovi nesta quinta-feira (11), após a divulgação de relatório com as novas estimativas. "Se a gente tiver um excesso de volatilidade e fatores de risco sobre a macroeconomia brasileira, ambiente institucional, político, se vier muita agitação, dado que a gente vai ter pressões sociais fortes, dada a tempestade perfeita que eu citei no segundo trimestre, isso pode trazer também um dólar mais pressionado e pressões altistas sobre a inflação."