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Santander tem lucro gerencial de R$ 3,902 bi no 3º tri, com alta anual de 5,3%

Talita Moreira e Álvaro Campos
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Resultado veio bem acima das projeções de analistas, que apontavam ganho de R$ 2,958 bi O Santander Brasil obteve lucro líquido gerencial de R$ 3,902 bilhões no terceiro trimestre, o que representa alta de 5,3% na comparação com o mesmo período do ano passado e alta de 82,7% ante o trimestre imediatamente anterior. O resultado veio bem acima das projeções dos analistas consultados pelo Valor, que apontavam um ganho de R$ 2,958 bilhões. O lucro societário do Santander ficou em R$ 3,811 bilhões entre julho e setembro, com elevação de 5,6% ante igual intervalo de 2019. Santander: Inadimplência cai a 2,1% em setembro, de 2,4% em junho e 3% um ano antes Santander demite 2.045 funcionários e fecha 91 agências de abril a setembro Volume de pagamentos da Getnet sobe 30,9%, a R$ 68,7 bi, diz Santander Santander lucra 1,745 bi de euros, impulsionado por operações no Brasil Grupo Santander funde unidades para criar banco digital global e aprova dividendos O terceiro maior banco privado do país em ativos contabilizou margem financeira bruta de R$ 12,432 bilhões no terceiro trimestre, o que representa queda de 8,7% em três meses e avanço de 6,5% na comparação anual. As despesas líquidas com provisões para devedores duvidosos (PDD) ficaram em R$ 2,916 bilhões, com queda de 12,5% ante o trimestre anterior e alta de 3,4% em relação ao terceiro trimestre de 2019. As receitas de prestação de serviços e tarifas bancárias atingiram R$ 4,746 bilhões, com queda anual de 0,1%. No trimestre, houve alta de 15,7%. As despesas gerais totalizaram R$ 5,375 bilhões, com alta de 2,2% em um ano ano e de 3,6% no trimestre. O retorno sobre o patrimônio (ROE) ficou em 21,2% no terceiro trimestre, de 12% no segundo e 21,1% no terceiro trimestre do ano passado. O índice de Basileia ficou em 14,86%, de 14,41% e 16,24%, na mesma base de comparação. Margem financeira bruta O Santander Brasil informou que sua margem financeira bruta foi de R$ 12,432 bilhões no terceiro trimestre, com alta de 6,5% na comparação com o mesmo período do ano passado e queda de 8,7% em relação ao trimestre imediatamente anterior. A margem com clientes foi de R$ 10,533 bilhões, com queda de 4,5% na comparação trimestral. Dentro dessa linha, a margem com produtos caiu 4,4%, a R$ 10,207 bilhões, enquanto a margem com capital de giro próprio encolheu 7,0%, a R$ 326 milhões. O volume médio ficou em R$ 397,081 bilhões, com alta trimestral de 1,3%, mas o spread caiu 0,7 ponto porcentual, para 10,2%. Já a margem de operações com o mercado ficou em R$ 1,899 bilhão, com queda trimestral de 26,7%. “Em três meses, a margem financeira bruta apresentou queda de 8,7%, impactada pela redução tanto da margem com clientes quanto da margem com mercado. [...] A margem com clientes reduziu 4,5%, decorrente da menor receita de capital de giro próprio e de margem de produtos, impactadas pelos spreads e efeito mix”, diz o Santander. Despesas com PDD O Santander informou que suas despesas líquidas com provisões para devedores duvidosos (PDD) somaram R$ 2,916 bilhões no terceiro trimestre, com alta de 3,4% na comparação com o mesmo período do ano passado, mas queda de 12,5% ante o trimestre imediatamente anterior. Segundo o Santander, a queda na margem “é atribuída a melhoria ‘end-to-end’ que realizamos ao longo dos últimos trimestres, com o aprimoramento dos modelos matemáticos, maior qualidade na originação e evolução da multicanalidade para recuperações”. O resultado líquido de R$ 2,916 bilhões no trimestre é fruto de despesas de R$ 3,754 bilhões mais um ganho de R$ 837 milhões com recuperação de créditos que haviam sido baixados a prejuízo. A queda trimestral de 12,5% desconsidera a provisão adicional de R$ 3,2 bilhões que o Santander fez no segundo trimestre para lidar com os efeitos da pandemia de coronavírus. O índice de cobertura do Santander subiu para 307% no terceiro trimestre, de 272% no segundo e 181% no terceiro trimestre de 2019. Carteira de crédito O Santander encerrou setembro com R$ 491,319 bilhões na carteira de crédito ampliada, que inclui empréstimos e financiamentos, títulos, fianças, avais e garantias. O saldo aumentou 5,3% ao longo do terceiro trimestre e cresceu 20,2% na comparação com setembro do ano passado. Descontado o efeito da variação cambial, a alta em 12 meses foi de 17,9%. A variação mais expressiva veio do segmento de pequenas e médias empresas num trimestre em que os programas do governo para destinar crédito ao segmento, como o Pronampe, deslancharam. O saldo de operações com PME estava em R$ 53,335 bilhões no fim do terceiro trimestre, alta de 14,6% em relação a junho de 40,5% na comparação com setembro do ano passado. A carteira de pessoas físicas, que é a mais relevante para o Santander, cresceu 5,1% no trimestre e 11,6% em 12 meses, para R$ 165,044 bilhões no fim de setembro. O segmento foi impulsionado pelo crédito consignado e pelo imobiliário. A linha de cartões avançou 10,5% no trimestre, e recuou 0,1% em um ano. O financiamento ao consumo cresceu em ritmo mais lento. Houve expansão de 2,2% em relação a junho e de 5,1% na comparação com setembro do ano passado, totalizando R$ 57,971 bilhões. A carteira de grandes empresas desacelerou no terceiro trimestre após o salto expressivo que teve nos primeiros meses da crise. O estoque de operações era de R$ 121,034 bilhões no fim de setembro, apontando queda de 1,3% em relação a junho e alta de 33,5% frente a setembro do ano passado. Nas operações com pessoa jurídica, houve forte retração no crédito imobiliário (queda de 16,4% no trimestre e de 27,6% em um ano até setembro, para R$ 1,982 bilhão). Comércio exterior e crédito rural também recuaram na comparação com junho. David Ramos/Bloomberg