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'Sanctorum' mostra indígenas vítimas de militares e do tráfico

·2 min de leitura

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Um ruído altíssimo assusta os camponeses que vivem numa região agrícola e montanhosa do México. São plantadores de amapoulas, a matéria-prima da heroína. Sua situação particular, porém, é de extrema pobreza, sem nenhuma relação com as fortunas que acumulam os traficantes da droga que a transportam até seus consumidores finais, nos Estados Unidos.

A comunidade se mostra em todas as suas cores, com a natureza sendo um personagem que contracena constantemente com eles. Seus silêncios são parte importante dos diálogos. Estão expostos tanto à ação dos cartéis do narcotráfico quanto ao avanço do Exército, que, para cumprir suas metas de "luta contra a delinquência", arrebatam pelo meio a vida de muitos camponeses que não têm nenhum envolvimento com o mundo do delito. No meio dos embates entre ambos, muitos morrem pela pobreza, outros pelo recrutamento compulsório das gangues. Outros, ainda, como vemos em panorâmicas, de longe, são assassinados de modo coletivo.

Os agricultores têm medo e fome, e estão cansados dos avanços de ambos os lados e sua constante volúpia por demarcar território. Sua única escapatória é afundar no misticismo, em sua própria religião ancestral, e daí tentar retirar forças. É aí então que decidem armar seu exército.

A violência e a corrupção que marcam o México contemporâneo são mostradas em "Sanctorum" pelos efeitos que têm na população mais humilde, que vive longe das cidades e entre o farfalhar das plantas de amapoulas ainda em flor. É nesse contexto que um garoto, que perdeu a mãe e tem na avó sua única companhia, tateia entre a névoa, em busca de alguma conexão espiritual. Ele crê que existe alguma forma de trazer a mãe de volta por meio de algum milagre. Sua busca revelará o bosque frio e cheio de névoa onde vive a comunidade, mas também o lugar onde deve buscar abrir seu caminho.

Exibido no Festival de Veneza em 2019 depois de ganhar o prêmio máximo em Morelia, o filme põe a lente nos indígenas do estado de Oaxaca e é falado em mixe e ayuuk, idiomas ancestrais da região. A produção mistura elementos do fantástico com thriller e resulta num manifesto político nas entrelinhas.

Quando tudo parece um sonho ou uma luta contra um inimigo muito mais forte, o filme mostra o professor de história local, que vem repassar as datas e os pontos altos da Revolução Mexicana, detonada em 1910.

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SANCTORUM

Quando: Estreia neste quinta (21)

Onde: Nos cinemas

Elenco: Nereyda Pérez Vásquez, Damián D. Martinez, Medardo Díaz Gutiérrez

Produção: México, 2019

Direção: Joshua Gil

Avaliação: Regular

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