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Sanções dos EUA ameaçam US$ 1,1 tri em financiamentos da China

Bloomberg News

(Bloomberg) -- Os maiores bancos da China têm US$ 1,1 trilhão em financiamentos em dólar sob risco e podem ter que pagar altas multas como resultado da legislação dos EUA, que visa penalizar instituições que fazem negócios com autoridades chinesas envolvidas na polêmica lei de segurança de Hong Kong, de acordo com a Bloomberg Intelligence.

A medida bipartidária, que foi aprovada pelo Senado dos EUA e ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados e ser assinada pelo presidente Donald Trump, impede que os bancos forneçam contas a autoridades sancionadas, muitas das quais supostamente usam serviços dos maiores bancos da China, disse Francis Chan, analista sênior da BI em Hong Kong, em relatório de 30 de junho. Bancos que violarem as medidas correm risco de serem impedidos de acessar o sistema financeiro dos EUA, disse.

Industrial & Commercial Bank of China, China Construction Bank, Bank of China e Agricultural Bank of China, os quatro maiores bancos estatais do país, tinham, em conjunto, 7,5 trilhões de yuans (US$ 1,1 trilhão) em obrigações em dólar no fim de 2019, das quais 47% eram depósitos, de acordo com balanços anuais. O restante eram empréstimos interbancários e emissão de títulos para investidores globais.

A legislação aplicaria multas contra instituições financeiras somente se um banco negociar com uma autoridade sob sanção sabendo da penalidade. O projeto de lei visa impedir que as multas atinjam uma grande quantidade de empresas americanas, disse uma autoridade do governo a par das discussões. Os bancos serão informados sobre quais entidades estão na lista de sanções antes que as penalidades sejam impostas, disse a pessoa.

Entre os bancos chineses, o Bank of China tinha a maior exposição em dólar, com cerca de US$ 433 bilhões em passivos, seguido pelo ICBC. Bancos chineses têm expandido sua presença globalmente na última década com agências, fazendo aquisições e concedendo empréstimos para vários projetos.

Bancos globais também correm risco, pois podem ter autoridades chinesas, seus parentes e funcionários como clientes, disse Chan. O Standard Chartered pagou mais de US$ 600 milhões em multas em 2019 por violar sanções contra a Birmânia, Cuba, Irã, Sudão e Síria. O BNP Paribas foi multado em US$ 8,9 bilhões pelos EUA em 2014, a maior multa de todos os tempos para um banco individual, por transações com o Sudão e outros países da lista negra.

O governo Trump escalou as tensões com a China em resposta ao controle do país sobre Hong Kong, com medidas para dificultar a exportação de tecnologia sensível para a cidade. Na terça-feira, parlamentares em Pequim aprovaram a lei de segurança nacional para Hong Kong.

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