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Samurai Shirô | Conheça a HQ brasileira que inspirou novo filme da Netflix

·4 min de leitura

Um dos grandes lançamentos da Netflix neste mês de abril tem um toque bastante brasileiro, apesar da cara oriental. O filme A Princesa da Yakuza, que chegou ao streaming na última quarta-feira (20), é uma superprodução baseada em uma HQ nacional — o que mostra que não são apenas Marvel e DC capazes de entregar histórias assim.

O longa é uma adaptação da graphic novel Samurai Shirô, do paulista Danilo Beyruth, um dos principais nomes do quadrinho brasileiro contemporâneo. E apesar da trama carregar vários elementos da cultura oriental, como os samurais e a própria Yakuza, a trama tem um ritmo e um gingado bastante tupiniquim.

HQ traz elementos tipicamente japonês com um DNA bem brasileiro (Imagem: Reprodução/DarkSide Books)
HQ traz elementos tipicamente japonês com um DNA bem brasileiro (Imagem: Reprodução/DarkSide Books)

Isso tudo porque o gibi traz todos esses elementos tipicamente nipônicos para o nosso país, mais especificamente para o bairro da Liberdade, em São Paulo, tradicional reduto oriental da cidade. Assim, ele mistura todo esse imaginário da máfia japonesa que temos do cinema e da literatura com a familiaridade geográfica para criar uma história bem surpreendente.

Lançado em 2018, Samurai Shirô rapidamente virou um clássico. Não por acaso, a graphic novel ganhou o Troféu HQ Mix no ano seguinte como Melhor Publicação de Aventura e Fantasia — o que serviu para chamar ainda mais a atenção da Netflix na adaptação.

Sobre o que é Samurai Shirô

Como toda boa história de mistério, Samurai Shirô começa com um homem sem memória carregando apenas uma katana. E é ao trombar com essa estranha figura que Akemi — uma jovem paulista descendente de japoneses — vê sua vida virar de cabeça para baixo.

Samurai Shirô traz a ação oriental para o coração de São Paulo (Imagem: Reprodução/DarkSide Books)
Samurai Shirô traz a ação oriental para o coração de São Paulo (Imagem: Reprodução/DarkSide Books)

Isso porque o encontro com o homem da katana parece tê-la colocado na mira da Yakuza. Perseguida por esses criminosos, ela precisa correr pelas ruas de São Paulo e lutar para sobreviver ao mesmo tempo em que passa a descobrir mais e mais sobre a sua própria história.

E é a partir disso que o quadrinho entrega muito daquilo que a gente espera de uma história assim. Mais do que ser apenas correria e fuga desenfreada, a HQ explora muito bem a riqueza do bairro da Liberdade para integrá-lo a um submundo criminoso que é invisível às pessoas que transitam todos os dias por ali.

Assim, temos todos os pontos clássicos dessas tramas, como a disputa por poder, a luta pela honra da família e, é claro, aquela pancadaria frenética com espadas e movimentos quase acrobáticos.

Jovem Akemi precisa sobreviver à yakuza no meio do tradicional bairro oriental (Imagem: Reprodução/DarkSide Books)
Jovem Akemi precisa sobreviver à yakuza no meio do tradicional bairro oriental (Imagem: Reprodução/DarkSide Books)

Apesar de tudo isso soar como um mangá tradicional, Samurai Shirô se aproxima muito mais de thriller policial do que essa coisa mais aventuresca — o que traz um tom mais sério à história. Assim, essa tensão se mistura ao drama da própria Akemi, que precisa lidar não só com a confusão de estar na mira da yakuza, mas também com a própria dor de ter perdido o avô e as revelações sobre sua própria origem.

Entre as referências que o autor admite ter usado para criar o mundo de Samurai Shirô estão alguns clássicos da literatura e do próprio cinema. Segundo Beyruth, obras como Lobo Solitário e filmes do cineasta Akira Kurosawa — Yojimbo, Guarda-Costas e Sete Samurais — foram as principais referências na hora de criar a ação do gibi.

Referência nacional

Para quem acompanha o cenário de quadrinhos, o nome de Danilo Beyruth já é um dos mais conhecidos nos últimos anos. E apesar da passagem pela Marvel em histórias dos Guardiões da Galáxia e Motoqueiro Fantasma, o autor ganhou espaço mesmo graças ao seu trabalho autoral.

Dentre os vários trabalhos de Beyruth, reimaginação do Astronauta, de Maurício de Sousa, foi um dos mais emblemáticos (Imagem: Reprodução/ MSP Produções)
Dentre os vários trabalhos de Beyruth, reimaginação do Astronauta, de Maurício de Sousa, foi um dos mais emblemáticos (Imagem: Reprodução/ MSP Produções)

Samurai Shirô é a sua primeira HQ a ganhar uma versão em live action e que chega já com toda a pompa de ser distribuída internacionalmente pela Netflix. Só que, antes de Akemi lutar pela própria vida na Liberdade, o quadrinista já emplacava outros sucessos.

O principal deles foi justamente a trilogia do Astronauta pelo selo Graphic MSP, que reimaginou personagens de Maurício de Sousa — o mesmo que deu vida ao filme Turma da Mônica: Lições. Beyruth foi o escolhido para iniciar o projeto e trouxe uma versão do personagem muito mais puxada para a aventura em 2012.

Além disso, ele também é autor das séries Necronauta e Bando de Dois, também muito elogiadas e premiadas em diversos países.

A Princesa da Yakuza está no catálogo da Netflix para os assinantes assistirem.

Fonte: Canaltech

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