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Samira Carvalho: 1,80m de orgulho negro e sucesso no mundo da moda

O novo desafio de Samira agora é a transposição do mundo das passarelas para os bastidores da criação. (Foto: Divulgação/ Ford Model)

Na cobertura do mês da Consciência Negra, o Yahoo Notícias estreia o Escurecendo a História, que visa dar o merecido destaque e reconhecimentos aos negros e negras que escreveram a história.

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Texto / Juca Guimarães

Aos 30 anos, a super model Samira Carvalho pode se orgulhar de uma carreira vitoriosa no disputado mundo das grifes e passarelas.

Foram 16 anos intensos de desfiles nos principais eventos de moda do mundo. Paris, Tóquio e Nova York são algumas das cidades que se curvaram para a sua beleza, além do destaque na São Paulo Fashion Week, provando o sucesso também na terra natal.

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O que pode ser o sonho encantado de vida para modelos do mundo todo, para Samira é mais uma etapa dentro de planos sólidos e ambiciosos: Ser uma grande estilista na difícil transposição de modelo para criadora, dentro da disputada estrutura de poder na moda.

Samira Carvalho emana orgulho negro, inteligência, perseverança. 

“A minha vida é negritude. A minha família era simples, mas muito consciente de que éramos três meninas negras. Meu pai e minha mãe sempre trabalharam a nossa autoestima e aceitação. Meus pais sempre fizeram questão de falar que a gente podia sim conquistar coisas”, diz.

Desde criança surgiu, na menina Samira, o interesse por roupas e moda. Em Piracicaba, onde nasceu, ela tricotava improvisando com dois ‘palitinhos’ de churrasco. A mãe a colocou em um curso e em um mês já estava fazendo as primeiras peças.

Foram 16 anos intensos de desfiles pelas passarelas do mundo. (Foto: Divulgação/ Ford Model)

A avó trabalhava em uma empresa de roupas em Marília. Quando a neta ia visitá-la tinha sempre uma pilha de retalhos multicoloridos. 

“A minha grande alegria nas férias era me jogar dentro daquela sacola enorme de retalhos”, conta.

Mais que uma brincadeira de criança, a confecção de roupinhas para as bonecas, naquela época, era um ensaio para sonhos mais altos.

“Me tornar estilista é um processo de uma faculdade vivida na prática, ao longo da minha carreira de modelo. Nesses 16 anos, eu estive perto do processo criativo, estudando e pesquisando. Tenho a minha linguagem e coloco nas roupas que eu faço a minha emoção”, diz.

Para a Samira que fez vários cursos de moda, produzir roupas à mão é uma arte.

Peça confeccionada à mão por Samira Carvalho. (Foto: Divulgação/ Ford Model)

A VIDA NAS PASSARELAS

A carreira de modelo começou quando ela ganhou o concurso de Garota da Capa’, da Revista Raça, em 2004. Com o título veio um emprego numa agência só de modelos negros e a mudança para São Paulo. “Foi importante ser recebido em um ambiente acolhedor, eu tinha 14 anos”. 

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Um ano e meio depois mudou para a Ford Model, uma agências mais importantes do Brasil. Foi a porta de entrada para os grandes desfiles internacionais, o primeiro foi em Tóquio poucas semanas após a contratação. Então surgiram oportunidades em Londres, Paris e Nova Iorque. 

“Na primeira temporada em Nova York, abri e fechei o desfile da Diane Von Furstenberg. Isso foi incrível”, diz.

Foram anos e anos de Fashion Week por todas as marcas. Enquanto isso, ia aprimorando as suas habilidades como estilista. Foi responsável pelas roupas da amiga e cantora Xênia França e pelo figurino da banda Aláfia.

Na última SPFW viu suas criações na passarela no desfile do Isaac Silva, como design e crocheteira. “Foi incrível”.