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Salles sugere ação de hacker em ataque a Maia, e Twitter suspende conta de ministro

RENATO MACHADO
·3 minuto de leitura
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 03.06.2020 - O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante entre à Folha de S. Paulo em seu gabinete, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 03.06.2020 - O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante entre à Folha de S. Paulo em seu gabinete, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) afirmou na manhã desta quinta-feira (29) que suas redes sociais foram usadas “indevidamente”. A manifestação acontece horas depois de uma postagem na conta do ministro ter chamado o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, de “Nhonho”.

“Fui avisado há pouco que alguém se utilizou indevidamente da minha conta no Twitter para publicar comentário junto à conta do Pres. da Câmara dos Deputados, com quem, apesar de diferenças de opinião sempre mantive relação cordial”, afirmou o ministro na mesma rede social, nesta manhã.

Após a nova publicação, a conta do ministro Salles foi bloqueada, um sinal de que o ministro pode ter acionado o procedimento de segurança para invasões. A conta ainda existe, mas as postagens não são mostradas.

O Ministério do Meio Ambiente informou também nesta manhã, por meio de nota, que o ministro entrou em contato diretamente com Maia para explicar que não enviou a referida ofensa e que “vai apurar a utilização indevida da conta”.

Nhonho é um personagem da série de televisão mexicana Chaves. Trata-se de um personagem infantil, que é constantemente provocado por seus colegas por ser obeso. Bolsonaristas usam esse nome de forma pejorativa contra o presidente da Câmara dos Deputados.

A postagem ofensiva na conta do ministro Salles foi registrada dias depois de uma crítica de Maia por ter provado uma nova crise no governo. Maia havia escrito:

“O ministro Ricardo Salles, não satisfeito em destruir o meio ambiente do Brasil, agora resolveu destruir o próprio governo”, havia escrito Maia em suas redes sociais.

Maia se referia ao fato de Salles ter chamado o ministro Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) de “Maria Fofoca”, na sexta-feira (23).

"Ministro Luiz Ramos, não estiquei a corda com ninguém. Tenho enorme respeito e apreço pela instituição militar. Atuo da forma que entendo correto. Chega dessa postura de #mariafofoca”, escreveu.

O ministro do Meio Ambiente indicava que Ramos seria o responsável por vazamentos de questões internas do governo para a imprensa. Mais especificamente, Salles insinuava que Ramos havia dito ao jornal O Globo que ele estava esticando a corda com ala militar do governo, ainda que a reportagem não identifique o militar.

No domingo (25), Ramos negou a existência de crise no governo. Pouco depois, Ricardo Salles foi às redes sociais pedir desculpas.

A troca de acusações acontece depois de o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), autarquia ligada ao ministério de Salles, ter suspendido as ações de brigadistas de combate a incêndios, por conta da falta de recursos.

Essa é a segunda vez durante a gestão Salles que órgãos ambientais paralisam suas atividades, em meio às crises de desmatamento e queimadas, por questões ligadas a recursos. As duas iniciativas provocaram crise no governo, pressionando o Ministério da Economia. Em ambas, Salles obteve os recursos.

Apesar de Salles afirmar não ser o responsável pela postagem ofensiva à Maia, alguns bolsonaristas comemoraram a ofensa. A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) publicou em suas redes sociais:

“Quando você destrói a argumentação de uma pessoa em uma palavra”, escreveu, em referência à palavra Nhonho.