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Salesforce deve bater 11 mil postos de trabalho em vendas em 2019, diz executiva

Wagner Wakka

A Salesforce hoje é uma das empresas com maior número de contratações do mundo. Somente este ano, a companhia espera criar 11 mil novos postos de trabalhos apenas no setor de vendas. Isso é o que informou Ana Recio, vice-presidente executiva de contratações globais da companhia, em entrevista ao Canaltech durante o Dreamforce 2019.

Lidar com essa quantidade de vagas já pode ser trabalhoso para a empresa. Segundo ela, a expectativa é de que sejam enviados para a Salesforce mais de 1 milhão de currículos no ano. “Desses, a gente só consegue fazer entrevista com 70 mil pessoas”, explica ela.

A palavra “só” não é de forma irônica. Ela sabe que não entrevistar os outros potenciais candidatos pode significar perder talentos. É por isso que a empresa aposta em um sistema automatizado de análise e feedback, mesmo para quem não passa no sistema de seleção. A ferramenta se insere nos mecanismos de marketing cloud da Salesforce, mas não é um produto. Ou seja: só pode ser usado para contratações internas da empresa. “A ideia é que ninguém fique sem resposta. Mesmo que seja um não”, explica Recio.

Ana Recio, VP de recrutamento da Salesforce (Foto: Divulgação/Salesforce)

A plataforma, segundo a vice-presidente, vai além. O candidato recusado também recebe um feedback sobre porque não foi escolhido para a vaga, além de indicações de como melhorar o seu perfil para futuras novas oportunidades. “A gente sabe que aquela pessoa pode voltar depois de ter o treinamento correto com uma boa chance de conseguir outra vaga. Não queremos um distanciamento, pelo contrário”, aponta.

A Salesforce também é uma das companhias que oferece esse treinamento, logo tal candidato pode se transformar em um cliente. A empresa tem uma plataforma chamada Trailhead, voltada não só para que a empresa possa montar aulas e treinamentos, mas também oferecer cursos a quem busca entrar no mercado de trabalho.

No Dreamforce 2019, a Salesforce anunciou uma parceria com a Apple para soltar o app do Trailhead para o iOS.

Igualdade 

Automatizar o processo com uma ferramenta como a Salesforce faz pode ajudar nos trâmites, mas tem a tendência de criar o que se chama de viés de contratação — a tendência por escolher somente os mesmos tipos de pessoas. Em suma, preterir negros, mulheres, pessoas mais velhas ou até mesmo imigrantes.

Contudo, Recio aponta que a companhia tenta evitar isso de duas formas. Primeiro não levando esses fatores culturais e pessoais em conta no filtro automatizado e os evitando no processo de seleção de entrevistas. Segundo ela, isso tem dado resultados.

“A parte boa da nossa ferramenta é que pessoas de minorias, sejam culturais, regionais ou de gênero, têm se desempenhado até melhor que outras fatias. Isso tem nos deixado bastante alegres”, conta.

Contudo, ela reconhece que ainda existe um processo de disparidade salarial que é preciso ser combatida. O principal desafio é que a Salesforce compra muitas empresas com processos de contratação diferentes.

Executiva participou do Dreamforce19 (Foto: divulgação/Salesforce) 

“Quando há uma aquisição, é preciso começar um novo trabalho. Isso é difícil, às vezes, mas conseguimos fazer”. Como exemplo, ela fala de um processo interno em que gerentes recebem e-mails de forma automatizada, informando se há disparidade salarial entre funcionários de um mesmo cargo com gêneros diferentes. Assim, ele é obrigado a fazer o ajuste.

Novas gerações 

A executiva também falou sobre mudanças no cenário de contratações advindas de gerações Z e millennials. Tais candidatos geralmente são vistos como pouco dedicados ou exigentes demais, visão da qual ela não compartilha.

“Eu gosto das gerações Z e millennials. Eles estão quebrando paradigmas que a minha geração não era capaz de fazer. Eles pedem para trabalhar em casa, eles não querem trabalhar das 9h às 17h, eles não querem ficar no escritório, não querem um sistema autoritário, querem algo colaborativo, trabalhar em equipe. Querem flexibilidade, querem poder contribuir com comunidades. Então você tem de ser um empregador que consegue entregar tudo isso para ser atrativo. É bom para todos”, acredita

Atualmente, a empresa trabalha com um conceito “111”, relativos a oferecer 1% do dinheiro, 1% da infraestrutura e 1% da força de trabalho para caridade por ano. É neste espaço que o funcionário, inclusive estagiário, pode escolher fazer alguma contribuição fora do seu ambiente de trabalho.

Como trabalho na Salesforce? 

A pergunta final não pode ser diferente: qual o tipo de funcionário que a Salesforce está buscando atualmente? Bom, na visão de quem recruta, a peneira está em três pontos.

A executiva aponta que a primeira característica importante é ter um pouco de treinamento em vendas: “É preciso saber do storytelling envolvido em vender alguma coisa”.

Junto disso, é importante ser usuário de CRM, cerne do tipo de serviço que a Salesforce oferece: “Usuário mesmo. Alguns nem vendiam, mas sabiam os pormenores da plataforma. Isso é importante”.

Por fim, é preciso estar acostumado com um ritmo acelerado de mudanças, já que a empresa está em constante crescimento.

*Wagner Wakka foi enviado a San Francisco a convite da Salesforce


Fonte: Canaltech

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