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Saldo de Bolsonaro para o agro foi negativo, diz Fávaro

***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, BRASIL, 29-12-2022: Carlos Fávaro, (Foto: Eduardo Anizelli/ Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, BRASIL, 29-12-2022: Carlos Fávaro, (Foto: Eduardo Anizelli/ Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Futuro ministro da Agricultura e Pecuária, o senador Carlos Fávaro (PSD-MT) afirma que o saldo dos últimos quatro anos para o setor do agronegócio foi negativo, apesar de ruralistas terem apoiado majoritariamente a reeleição de Jair Bolsonaro (PL).

"Por incrível que pareça, talvez o [setor] não enxergue, mas o saldo é negativo. Perda de credibilidade, imagem muito ruim no mercado internacional. Ficou a sensação para o mundo do passa a boiada. Pode desmatar, pode queimar, pode destruir. Ficou aberta uma ferida no meio ambiente, que é o nosso maior ativo", disse ele em entrevista à Folha de S.Paulo.

Fávaro se aliou ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda no início da campanha e foi um dos principais interlocutores do petista junto ao setor. Apesar de ter sido apresentado como cota do PSD, de Gilberto Kassab, para a sigla aderir à base do futuro governo, Lula já tinha decidido pela escolha do senador há mais de duas semanas.

Segundo o futuro ministro, Lula irá abrir o mercado para o agronegócio no exterior e será o principal embaixador do Brasil.

"A China é prioridade, o mundo é prioridade. O maior embaixador do Brasil é o presidente Lula. Nós vamos revender o Brasil. Um Brasil equilibrado, sustentável, produtivo. Tenho certeza que isso vai gerar muitas oportunidades para os brasileiros."

PERGUNTA - O sr. assume um ministério menor que o atual, da gestão Bolsonaro. Já há definição sobre qual deve ser a estrutura da pasta?

CARLOS FÁVARO - ‚Eu não gostaria de dizer que o ministério perdeu espaço porque, na realidade, ele foi acrescido de muitas coisas neste último mandato. Nós precisamos ter foco. Eu sou defensor de estruturas bem focadas e transversais, conversando entre si, como com o Ministério da Pesca. A Embrapa precisa de dedicação muito profunda. Ela foi completamente sucateada. A Conab vai momentaneamente para o MDA [Ministério do Desenvolvimento Agrário], mas nós imaginamos para ela algo maior, que ela vá atender a agricultura familiar, a agricultura empresarial, numa agência de informação estratégica, com relatórios mensais do mercado, que norteiem todas as políticas públicas. Com isso, haveria relatório de clima com as estações meteorológicas, e a gente poderia trabalhar melhor programas e políticas públicas.

P.- Qual o objetivo dessa agência?

CF- A ideia é que ela não fique nem embaixo do MDA nem do Mapa. A sugestão é criar uma agência de informação, não uma agência reguladora, e que possa servir transversalmente para vários ministérios. Um exemplo é que há uma previsão de safra para milho no ano, com milho para mercado nacional e exportação. Mas, muitas vezes, esse milho é exportado e falta produto para a indústria. Aí há desabastecimento e o governo precisa trazer milho de fora. Falta planejamento. Não precisa ter intervenção.

P.- Qual é o saldo do governo Bolsonaro para o setor agropecuário?

CF- O saldo do governo Bolsonaro para o setor? Por incrível que pareça, talvez não enxergue, mas o saldo é negativo. Perda de credibilidade, imagem muito ruim no mercado internacional. Ficou a sensação para o mundo do passa a boiada. Pode desmatar, pode queimar, pode destruir. Ficou aberta uma ferida no meio ambiente, que é o nosso maior ativo. Está destruindo a galinha dos ovos de ouro, que é ter chuva para poder ter produção. O saldo é muito negativo nesse aspecto, mas nós vamos reconstruir. Tenho certeza que o bom senso vai voltar a prevalecer. Os homens e mulheres de bem que produzem alimento vão reconhecer o grande trabalho do presidente Lula.

P.- O que o sr. faria de diferente?

CF- Não gosto de olhar para trás, eu quero olhar para frente. O Brasil tem uma grande oportunidade hoje de voltar a crescer, produzir mais, de forma sustentável, equilibrada, respeitada pelo mundo.

P.- Na campanha, o PT chegou a lançar um documento que previa a regulação do setor agrícola e isso gerou ruído com ruralistas. Há chance de haver regulação do setor?

CF- Houve disparo de muita fake news na campanha. O setor já está começando a ver isso. Agora eu já vejo um movimento de consciência, de saber que é um novo governo e que temos que trabalhar por bem da agricultura, da agropecuária. Então eu vejo as associações já em busca do diálogo, de fazer as coisas acontecerem. Estão esquecendo as fake news. Tinha uma que era de invasão de terra. O presidente Lula falou várias vezes que terra invadida não é passível de reforma agrária. Tem lei que proíbe. Nós não somos contra a reforma agrária. Cheguei em Mato Grosso num município que era fruto de reforma agrária.

P.- O sr. pretende participar das discussões sobre reforma agrária?

CF- Claro que sim. Terra pública que estava disponível ou até terra privada que o proprietário queira vender e o Estado tiver interesse para reforma agrária, perfeito. Mas a terra produtiva não tem reforma sobre ela, não tem invasão de terra. Gostem ou não gostem de Lula e de Fávaro, estamos abertos ao diálogo. Quem quiser fazer agricultura moderna, eficiente, em busca do carbono neutro, respeitando as leis, respeitando o meio ambiente, não desmatando ilegalmente, não provocando queimadas ilegais, certamente terá todo o nosso apoio.

P.- Qual sua posição sobre crédito para o setor e seguro rural?

CF- O crédito, vamos dizer assim, juros equalizados para custeio, precisa ser mantido o tamanho disso focado, principalmente em pequenos e médios produtores. Os grandes têm acesso a crédito internacional com juros bastante baratos. O seguro rural é uma política muito eficiente, por isso a gente tem que, no mínimo, mantê-la.

P.- Haverá alguma mudança no acesso a armas para o produtor rural?

CF- Vou trazer uma posição do presidente Lula desde a campanha, e eu concordo plenamente. Nós não podemos deixar que o cidadão vire parte do crime organizado. Está se perdendo o controle porque está muito fácil de comprar. Depois a pessoa diz que foi roubada mas, muitas vezes, vendeu.

Agora, o agro precisa de um pensamento um pouco diferente. Não dá para deixar o homem do campo proibido de ter uma, duas, três armas de fogo e algumas munições porque, na hora que chega um assaltante lá, chega um sequestrador, um delinquente, ele tendo a certeza que aquele homem do campo está desarmado, ele vai barbarizar. Não dá tempo de você acionar o 190 e a polícia vir.

P.- O senhor defende que o governo envie um novo texto para o PL dos Defensivos, que ficou conhecido como PL do Veneno?

CF- Não podemos precarizar a análise, a ciência. De jeito nenhum. Não podemos precarizar a Anvisa ou o Ibama na regulamentação e autorização de novas moléculas, mas a burocracia não pode tomar conta, e passar oito ou dez anos fazendo testes de novas moléculas que o mundo inteiro já tem. Vamos fazer as coisas andarem. Estamos todos do mesmo lado.