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Sais orgânicos poderiam indicar presença de vida microbiana no passado de Marte

·3 minuto de leitura

Em junho de 2018, a NASA confirmou a presença de moléculas orgânicas em rochas marcianas, após quase seis anos do rover Curiosity estudando a cratera Gale, em Marte. Em uma nova pesquisa, uma equipe da agência norte-americana descobriu que as rochas de lá também podem conter restos de sais orgânicos, os quais poderiam ser o resquício desses compostos no passado do planeta — formado por vida microbiana antiga ou processos geológicos.

Além de servir como mais uma evidência da existência de matéria orgânica no passado marciano, a confirmação desses sais poderia também implicar em uma possível habitabilidade nos dias atuais do planeta. Ao menos aqui na Terra, alguns organismos são capazes de transformar estes sais, como oxalato e acetato, em energia. "Se determinarmos que existem sais orgânicos concentrados em qualquer lugar de Marte, vamos querer investigar mais a fundo essas regiões e, idealmente, perfurar mais profundamente abaixo da superfície, onde a matéria orgânica poderia ser mais bem preservada", explicou James MT Lewis, geoquímico orgânico que liderou a pesquisa recentemente publicada na Journal of Geophysical Research: Planets.

Selfie do rover Curiosity na Cratera Gale, na qual se encontra desde 2012 (Imagem: Reprodução/Reprodução/NASA/JPL-Caltech/MSSS)
Selfie do rover Curiosity na Cratera Gale, na qual se encontra desde 2012 (Imagem: Reprodução/Reprodução/NASA/JPL-Caltech/MSSS)

Através de experiências realizadas em laboratório e da análises dos dados obtidos pelo Sample Analysis at Mars (SAM), uma espécie de laboratório portátil a bordo da “barriga” do Curiosity, Lewis percebeu a presença indireta de sais orgânicos. O problema é que o SAM pulveriza as amostras de solo e de rocha para liberar os gases que revelam a composição delas. Se aquecidos, os sais orgânicos podem produzir gases simples que poderiam ser liberados por outros ingredientes presentes ali; por isso, detectar estes sais de forma direta, no momento, é um desafio.

Então Lewis e sua equipe propuseram o uso de uma outra ferramenta científica do Curiosity, como o instrumento de Química e Mineralogia (CheMin, sigla em inglês), que, em teoria, seria capaz de detectar alguns tipos de sais — desde que existam em quantidade suficiente para serem acusada —, mas até agora o CheMin não detectou nenhum sal orgânico. Vale lembrar que a superfície de Marte há bilhões de anos recebe diretamente a radiação do Sol, o que poderia apagar ou fragmentar qualquer vestígio.

Ao analisar os dados do SAM, os pesquisadores buscaram juntar as peças fragmentadas e, assim, deduzir a qual tipo de moléculas maiores elas poderiam ter pertencido e, então, o que estas moléculas poderiam dizer sobre o ambiente e biologia que podem ter existido ali. "Estamos tentando desvendar bilhões de anos de química orgânica e neste registro orgânico pode haver o prêmio final: a evidência de que uma vez existiu vida no Planeta Vermelho”, explicou Lewis.

Representação artística do rover Rosalind Franklin, destina a perfurar o solo marciano em busca de sinais de vida no passado do planeta (Imagem: Reprodução/ESA)
Representação artística do rover Rosalind Franklin, destina a perfurar o solo marciano em busca de sinais de vida no passado do planeta (Imagem: Reprodução/ESA)

O SAM é capaz de aquecer amostras a mais de 1.000 ºC, com isso o calor quebra as moléculas, liberando alguma delas como gases. E cada tipo de molécula libera um tipo de gases sob temperaturas específicas. Então, ao observar quais temperaturas liberam quais tipos de gases, a equipe pode concluir do que é feita a amostra. “Ao aquecer amostras marcianas, há muitas interações que podem acontecer entre os minerais e a matéria orgânica que podem tornar mais difícil tirar conclusões de nossos experimentos, então o trabalho que estamos fazendo é tentar separar essas interações para que os cientistas façam análises em Marte e usem esta informação”.

A próxima missão ExoMars, da Agência Espacial Europeia (ESA), será equipada para perfurar até 2 metros de profundidade o solo do planeta, e analisar a química destas camadas mais profundas com um instrumento desenvolvido pela Goddard Space Flight Center, da NASA. A missão, por enquanto, segue prevista para ser lançada em 2022. Enquanto isso, os pesquisadores seguem analisando os dados do SAM e CheMin, do Curiosity, tentando juntar as peças que podem revelar algo sobre o passado distante do planeta.

O artigo com as pesquisas e análises do estudo foram publicadas no periódico científico Journal of Geophysical Research: Planets.

Fonte: Canaltech

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