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Saiba mais sobre o Instituto de Virologia de Wuhan

Ludovic EHRET
·3 minuto de leitura
Entrada do Instituto de Virologia de Wuhan, na China, em 3 de fevereiro de 2021

O local deixou o coronavírus escapar? Esta é a hipótese que pesa sobre o Instituto de Virologia de Wuhan, no centro da China, alimentada, entre outros, pelo governo do ex-presidente americano Donald Trump.

Nesta quarta-feira (3), o laboratório recebeu a visita de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Muitos pesquisadores acreditam que o Sars-CoV-2 tem origem provavelmente nos morcegos e teria passado por outra espécie (ainda não se sabe qual) antes de ser transmitido aos seres humanos.

Conheça o Instituto de Virologia de Wuhan, a cidade onde o coronavírus foi detectado pela primeira vez no final de 2019:

- Como estão as instalações?

- Este instituto estatal tem a maior coleção de cepas de vírus da Ásia, com 1.500 espécies diferentes, de acordo com seu site.

Desde 2012, dispõe de um laboratório de alta segurança P3 (para "patógenos de classe 3") que estuda muitos vírus e, em particular, os coronavírus.

A diretora desse laboratório é Shi Zhengli, especialista nos coronavírus de morcegos, o que lhe valeu o apelido de "Batwoman chinesa".

O Instituto de Virologia também tem um P4 (para patógenos ainda mais perigosos). Trata-se de um laboratório de maior segurança que pode abrigar cepas perigosas como o ebola.

Inaugurado formalmente em 2018, este P4 foi criado em colaboração com a França.

- O que os pesquisadores estão fazendo?

Equipados com trajes de proteção completos, em um espaço de trabalho projetado para evitar vazamentos, eles estudam diferentes tipos de patógenos. O objetivo é conseguir reagir rapidamente ao surgimento de doenças infecciosas.

Seus pesquisadores fizeram vários estudos sobre a relação entre os morcegos e o surgimento dessas doenças na China.

Também ajudaram a entender melhor o novo coronavírus após seu aparecimento em Wuhan.

Em fevereiro de 2020, seu trabalho foi publicado em uma revista científica. Eles concluíram que a sequência do genoma Sars-CoV-2 é 96% semelhante ao de um coronavírus de morcego.

- Eles estão isolados do mundo?

Não. Eles colaboram regularmente com cientistas estrangeiros.

Dois pesquisadores de Wuhan participaram de um estudo internacional em 2015 com várias universidades americanas, durante o qual um agente patógeno foi criado para avaliar a ameaça de um vírus semelhante ao da SARS (Síndrome Respiratória Aguda Severa).

Fato notável: o Instituto de Virologia colaborou com a EcoHealth Alliance, associação com sede nos Estados Unidos e especializada em prevenção de doenças. Seu presidente, Peter Daszak, está entre os especialistas enviados pela OMS para Wuhan.

- É possível um vazamento?

No momento, não há evidências que validem essa hipótese.

Em meados de janeiro deste ano, antes de deixar o cargo de secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo voltou a atacar o instituto de Wuhan.

"O governo dos Estados Unidos tem motivos para acreditar que alguns pesquisadores dentro [da instalação] adoeceram no outono de 2019, antes que o primeiro caso da epidemia fosse identificado, com sintomas compatíveis tanto com os da covid-19 quanto com doenças sazonais comuns", afirmou.

Segundo o jornal The Washington Post, a embaixada dos Estados Unidos em Pequim, depois de visitar o instituto, alertou as autoridades americanas em 2018 que algumas medidas de segurança eram insuficientes.

O Instituto de Virologia e o governo chinês negaram que esses laboratórios sejam a origem do novo coronavírus.

- O que se sabe sobre a origem do vírus?

Por enquanto, pouco.

No início da epidemia, apontou-se um mercado de Wuhan, que também foi visitado pelos pesquisadores da OMS, porque vendia animais silvestres vivos, potenciais portadores do coronavírus transmitido por morcegos.

Mas o Sars-CoV-2 pode ter vindo de outro lugar.

"Todas as hipóteses estão sobre a mesa. Está claro que é muito cedo para se chegar a uma conclusão sobre a origem desse vírus, seja na China, ou fora da China", disse o diretor do programa de emergências de saúde, Michael Ryan, semana passada, em Genebra.

ehl/bar/ybl/erl/tjc