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StoneX vê queda de 21,1% na safra de café do Brasil

Roberto Samora
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Trabalhadores carregam sacas de café brasileiro para exportação no Porto de Santos (SP)

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - A safra de café do Brasil 2021/22, que será colhida neste ano, foi estimada nesta quinta-feira em 51,4 milhões de sacas de 60 kg, queda de 21,1% ante um volume recorde na temporada anterior, devido ao tempo seco que afetou as lavouras em 2020, projetou a consultoria StoneX, citando ainda o ciclo de baixa bianual do arábica.

A safra de café arábica do Brasil 2021/22 foi estimada em 31,4 milhões de sacas, redução de 33% ante a temporada anterior, segundo o levantamento da empresa de análises, que realizou uma expedição técnica entre os meses de dezembro e janeiro por cidades de Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo, Bahia e Rondônia.

Por outro lado, a produção de café robusta do país foi estimada em 20 milhões de sacas, alta de 11% na comparação anual, compensando ligeiramente a queda no arábica.

A StoneX apontou que a região do Sul de Minas, principal produtora de café arábica do Brasil, terá queda de 34% na safra, para 12,1 milhões de sacas, devido à seca.

"De maneira geral, vimos que o tempo foi uma grande questão para as áreas de arábica do Sul de Minas, Mogiana e Cerrado", disse o analista da StoneX Fernando Maximiliano, em conferência nesta quinta-feira.

Devido à bienalidade negativa na safra que será colhida neste ano, a maioria das lavouras visitadas tinha uma carga muito menor de frutos, disse a consultoria, salientando que os efeitos das condições secas do segundo semestre de 2020 foram perceptíveis.

A consultoria destacou ainda que, para os cafezais que estão produzindo este ano, observou-se um número reduzido de frutos por galho, resultado do aborto das flores e dos frutos.

A StoneX ainda viu muitas lavouras podadas ou renovadas, o que também foi estimulado pela bienalidade e clima severo --muitos produtores, diante das condições secas, optaram pela poda para apostar numa safra melhor em 2022.

Segundo ele, as condições para a safra deste ano estão praticamente definidas.

Segundo estações meteorológicas monitoradas pela Cooxupé, maior cooperativa de cafeicultores do Brasil, com atuação no Sul de Minas, Cerrado e São Paulo, choveu abaixo da média histórica nas principais regiões desde março até novembro de 2020.

Em dezembro choveu acima da média e janeiro terminou novamente com déficit hídrico.

De acordo com o coordenador de Geoprocessamento da Cooxupé, Éder Ribeiro dos Santos, essa situação de déficit hídrico vem se agravando desde o final de 2018 nas regiões monitoradas pela cooperativa.

"Nunca tivemos uma sequência tão longa de dados apontando temperaturas tão altas e de falta de chuva tão grande, de um déficit tão intenso. Teve uma combinação muito grande de fatores negativos, e nunca tivemos uma situação tão ruim.", disse Santos à Reuters.

PRÓXIMA SAFRA

E chuvas abaixo da média em janeiro, se não têm grande impacto para a produção de 2021, são negativas para o crescimento dos cafezais que produzirão no ano que vem, disse o analista da StoneX.

"O tempo agora é mais importante para ver o potencial para a próxima safra. A produção para este ano está dada, não veremos grandes mudanças para este ano...", afirmou Maximiliano, destacando que chuvas são necessárias em fevereiro e março para garantir uma boa safra em 2022.

"Se tiver boa chuva, pode ser favorável. Caso contrário pode ser muito preocupante para a próxima temporada", disse, acrescentando que ainda é cedo para fazer projeções.

Em 2022 o Brasil estará no ano de alta produtividade do ciclo do arábica.

Para fevereiro, a boa notícia é de que as chuvas serão acima da média em Minas Gerais e São Paulo. No Espírito Santo, as precipitações não devem superar os índices históricos, mas também serão relevantes, disse o agrometeorologista da Climatempo, João Castro.