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Ele vendia potes de pimenta na Via Dutra e agora exporta para 10 países

Sabor das Índias começou com venda na via Dutra e agora é exportado para 10 países (Foto: Divulgação)

Por Melissa Santos

O empresário Gustavo Moreira de Aquino começou a empreender aos 13 anos, ao vender as maçãs do amor que a vó fazia. Mas jamais imaginou que os potes de pimenta que vendia na Via Dutra virariam uma marca que exporta para diversos países.

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A caminhada da Sabor das Índias começou quando sua família comprou um pequeno sítio na região do Vale do Ribeira e tiveram a ideia de plantar pimentas para arcar com as despesas do sítio. "Comprava as pimentas do sítio dos meus pais, fazia vidrinhos e ia para a Via Dutra para vender os potes com a iguaria", conta.

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Ao todo, Gustavo investiu cerca de 500 reais, que era o limite que tinha em uma conta da Caixa Econômica Federal. "Usei para comprar vidro e lacres para as embalagens e comecei a vender nas rodovias e em alguns pontos de venda que ficavam nas estradas. Fabricávamos garrafas bem bonitas e decorativas, só que eram caras. Todos queriam, mas acabavam não comprando pelo custo", fala.

Na época, Gustavo tinha outra ocupação, mas sempre acreditou no produto que tinha e, por isso, enfrentou todos os desafios, como o de criar garrafinhas menores de pimenta para ter mais giro, além de envasar a mercadoria e entregá-la.

Gustavo e Diogo Moreira de Aquino, os irmãos por trás do Sabor das Índias (Foto: Divulgação)

“Basicamente vendia o almoço para comprar o jantar. Envasava as garrafas com a mercadoria para vender na parte da manhã e comprar matéria-prima na parte da tarde com o dinheiro proveniente dessas vendas. A entrega também não era fácil. Comprei um carro e removi os bancos para que ele fosse um furgão para as entregas diárias”, fala.

Aos 21 anos, ele passou a se dedicar apenas ao Sabor das Índias e, a partir daí, criou novos produtos para se diferenciar dos demais concorrentes. “Ia nos pontos de venda e as pessoas falavam que igual o meu produto, eles já tinham 3 ou 4 na prateleira. Então, comecei a lançar novidades, tipo pimenta mexicana com a cor da bandeira do México”, exemplifica.

Para expandir as vendas, Gustavo também tinha uma técnica: ele entrava no espaço e perguntava onde podia achar os produtos da Sabor das Índias. “Além disso, costumava marcar reuniões às 11h ou 16h, que é quando as pessoas estão com mais fome e chegava com uma sacola com degustação completa!”, relembra.

Empresa agora diversifica linha de produtos (Foto: Divulgação)

Foi em uma dessas ocasiões que Gustavo percebeu que, se quisesse vender como uma grande empresa, precisava parecer com uma. “Um dia entrei todo empolgado em um PDV e perguntei porque eles não trabalhavam com a Sabor, sem me identificar. E foi quando eles falaram que era uma empresa pequena e sabiam disso pela validade do produto, que era um carimbo e não impresso. Sai com aquilo na cabeça. Precisava dar a impressão de ser grande”, conta.

Dificuldades na expansão

Chegou um ponto que Gustavo não estava mais crescendo. Foi então que ele trouxe seu irmão, Diogo, para trabalhar na parte administrativa da empresa. “Não tínhamos know-how para crescer e buscamos consultoria do Sebrae. Foi graças a isso que entendemos o potencial de exportação que tínhamos em mão. Também mudamos e padronizamos as embalagens de todos os produtos”, diz.

Com a profissionalização e aceitação no mercado, veio a primeira chance de exportação. Segundo Gustavo, ainda que estivessem em contato com Paraguai e Bolívia, a primeira exportação foi para os Estados Unidos. “Hoje, exportamos diversos itens para Angola, Canadá, China, Dubai, Estados Unidos, Holanda, Inglaterra, Paraguai, Portugal e Suíça”, afirma.

Gustavo olha para toda a sua trajetória na Sabores, que começou há 26 anos, e sente orgulho de todos os desafios superados.