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Saída de capital vai diminuir e contas externas vão melhorar, diz Campos Neto

Estevão Taiar

O presidente do BC também afirmou que a indústria de manufaturados vem apresentando "caminhos desiguais de queda e recuperação" A indústria de manufaturados vem apresentando "caminhos desiguais de queda e recuperação", afirmou nesta sexta-feira o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto. Ele participou de “live” da Brazilian-American Chamber of Commerce of Florida (BACCF).

José Cruz / Agência Brasil

Em apresentação realizada em inglês, Campos usou o consumo de eletricidade no mercado livre para mostrar a diferença entre os segmentos da indústria, comparando os níveis de 10 de junho com os patamares de 13 de março. O setor com melhor desempenho é o de cimento, com alta de 13,1%. Todos os demais ainda estão em patamares negativos: metalurgia (6,2%), papel e celulose (6,3%), bebidas (6,9%), alimentação (8,8%), química (15,5%), veículos (41,4%) e têxtil (43,4%).

Os gráficos apresentados pelo presidente do BC mostram, entretanto, que em todos os casos, durante algum momento da crise, os números já estiveram em patamares inferiores aos atuais. Os números são todos calculados com médias móveis de cinco dias.

Com base em dados da Cielo, por sua vez, ele também destacou que números "preliminares indicam alguma recuperação do varejo [no Brasil], com a exceção dos serviços".

Em relação ao setor externo, Campos reiterou que "a saída de capital vai diminuir e as contas externas vão melhorar" no Brasil.

Outro ponto reforçado pelo presidente do BC foi a mensagem divulgada desde a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) realizada semana passada, quando o colegiado cortou a Selic de 3% ao ano para 2,25% ao ano.

"Neste momento, o Comitê considera que a magnitude do estímulo monetário já implementado parece compatível com os impactos econômicos da pandemia da covid-19", disse. "Para as próximas reuniões, o Comitê vê como apropriado avaliar os impactos da pandemia e do conjunto de medidas de incentivo ao crédito e recomposição de renda e antevê que um eventual ajuste futuro no grau de estímulo monetário será residual."

No exterior, por sua vez, ele destacou que o balanço dos bancos centrais das economias desenvolvidas passam por forte expansão por causa das resposta à crise. Nesse grupo, Campos mencionou Estados Unidos, União Europeia e Japão.