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Súplica de mulher ao presidente peruano para que salve marido com coronavírus comove o país

Policial impede Celia Capira Mamani de alcançar o veículo do presidente peruano

"Senhor presidente, não vá embora!", suplicou no último domingo, entre lágrimas, Celia Capira, enquanto corria atrás do veículo que transportava o líder peruano, Martín Vizcarra, na cidade andina de Arequipa. Celia implorava por um leito hospitalar para salvar o marido, que agonizava devido ao novo coronavírus.

O drama da comerciante, 33, de origem humilde e mãe de três filhos, tornou-se uma tragédia quando seu marido, Adolfo Mamani, 57, morreu, na última terça-feira, em meio à superlotação no sistema de saúde de Arequipa, segunda maior cidade do Peru. "Eles o mataram, ele estava bem, disseram para nós que ele estava estável", protestou Celia, encarando os médicos.

A perseguição pelas ruas de Arequipa ao veículo em que Vizcarra deixou o hospital Honorio Delgado foi registrada em um vídeo que viralizou nas redes sociais. O rosto cheio de lágrimas da mulher, que usava máscara e face shield, reflete o desespero da população, que exige uma resposta das autoridades.

"Presidente, o senhor tem que ir até a tenda (montada ao lado do hospital para atender mais pacientes), não deixe o hospital sem ver as condições em que os pacientes se encontram", pediu Celia, entre soluços, enquanto a comitiva se afastava. "Senhor presidente, por que o senhor é mau e desumano?", gritou, desafiadora. Na última terça-feira, Vizcarra pediu perdão à viúva e disse que não percebeu que ela seguia a comitiva.

Um aumento exponencial do número de mortos e infectados pela Covid-19 golpeia atualmente Arequipa. O Peru é o segundo país da região com mais casos (371.096) da doença, atrás do Brasil, e o terceiro em número de mortos (17.654), atrás, também, do México.