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Síndrome de Guillain-Barré: o que é a reação rara à vacina contra covid

·3 minuto de leitura
Cineasta Xavier Alford mostrando como suas mãos estão ficando paralisadas
Síndrome de Guillain-Barré pode paralisar músculos
  • No Brasil, de acordo com a Anvisa, foram notificados 34 casos suspeitos da síndrome

  • Órgão, no entanto, ressalta que fato não é motivo para não se vacinar contra Covid-19

  • Síndrome já foi registrada em casos envolvendo imunizantes contra a gripe

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre casos raros da síndrome de Guillain-Barré (SGB) após a vacinação contra covid-19.

Segundo comunicado divulgado na quarta-feira passada (28/7), foram 34 notificações de casos suspeitos: 27 com a vacina da AstraZeneca, quatro com a CoronaVac e três com a da Janssen.

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O aviso pode ter deixado muitos brasileiros preocupados, mas a agência reforçou que isso não deve ser considerado motivo para as pessoas não se vacinarem.

"É importante destacar que a Anvisa mantém a recomendação pela continuidade da vacinação com todas as vacinas contra covid-19 aprovadas pela agência, dentro das indicações descritas em bula, uma vez que, até o momento, os benefícios das vacinas superam os riscos", informou a Anvisa.

Além de raros, episódios de SGB pós-vacinação também foram registrados em outros países. Além disso, já são conhecidos e relacionados a outros imunizantes, como o da influenza (gripe).

Mas o que é a síndrome de Guillain-Barré?

A SGB é um distúrbio neurológico autoimune raro (com um a dois casos por 100 mil pessoas por ano), no qual o sistema imunológico danifica as células nervosas. Sua causa é desconhecida. 

A síndrome é assim denominada em homenagem aos neurologistas franceses Georges Guillain e Jean Alexandre Barré, os primeiros a descrever a doença em conjunto com André Strohl em 1916.

Segundo a Anvisa, a maioria das pessoas se recupera totalmente do distúrbio. Em todo o mundo, cerca de 7,5% dos casos resultam em morte.

"O principal risco provocado pela síndrome é quando ocorre o acometimento dos músculos respiratórios. Nesse último caso, a SGB pode levar à morte, caso não sejam adotadas as medidas adequadas", alertou a agência.

Segundo a Anvisa, os sintomas iniciais da SGB na maior parte dos pacientes são sensação de dormência ou queimação nas extremidades dos membros inferiores (pés e pernas) e, em seguida, superiores (mãos e braços). Normalmente, desenvolvem-se ao longo de um intervalo de algumas horas a algumas semanas.

Outra característica percebida em pelo menos 50% dos casos é a presença de dor neuropática (provocada por lesão no sistema nervoso) lombar ou nas pernas. 

Fraqueza progressiva é o sinal mais perceptível, ocorrendo geralmente nesta ordem: membros inferiores, braços, tronco, cabeça e pescoço.

Segundo a médica Natalia Maes, do serviço nacional de saúde do Reino Unido (NHS, o SUS britânico), a SGB é uma "reação imune do organismo que pode acontecer após diversas infecções (principalmente respiratórias ou gastrointestinais) e variadas vacinas", assinala.

Foi que aconteceu, por exemplo, durante a epidemia de zika no Brasil. Em 2016, foram notificados 215.319 casos de zika em território nacional. Naquele ano, houve um incremento de 970 internações por SGB (0,45% do total de casos).

O que fazer?

Mão com luva descartável segura três seringas com líquido transparente dentro
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu alerta sobre casos raros da doença, mas manteve recomendação pela continuidade da vacinação

A Anvisa recomenda que pessoas vacinadas devem procurar atendimento médico imediato se desenvolverem sinais e sintomas sugestivos de SGB, que incluem, ainda, visão dupla ou dificuldade em mover os olhos, dificuldade de engolir, falar ou mastigar. 

"Também devem ficar atentas a problemas de coordenação e instabilidade, dificuldade em caminhar, sensações de formigamento nas mãos e pés, fraqueza nos membros, tórax ou rosto, além de problemas com o controle da bexiga e função intestinal", acrescentou a agência.

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Diante dos relatos de eventos adversos raros pós-vacinação, a agência solicitou que as empresas responsáveis pela regularização das vacinas AstraZeneca, Janssen e CoronaVac incluam nas bulas dos respectivos produtos informações sobre o possível risco de SGB.

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