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Símbolo de riqueza e pontualidade, Suíça também atrasa vacinação

Catherine Bosley
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Ser famoso por ser rico, um modelo de eficiência e pontualidade e ter uma grande indústria farmacêutica não é garantia de sucesso quando se trata de vacinação contra o coronavírus.

A saga da União Europeia para a compra de vacinas tem dominado as manchetes, mas a vizinha Suíça enfrenta situação semelhante. Com lojas, teatros e restaurantes fechados e a população desesperada por alívio, autoridades na capital Berna não tinham horários para imunização contra a Covid-19 disponíveis no fim de semana. Simplesmente não havia vacinas suficientes.

Os suíços costumam se referir ao país como um “Musterschüler” ou “aluno modelo” por sua capacidade de fazer as coisas no prazo. Na quarta-feira, o governo anunciou que encomendou mais lotes, incluindo de dois novos fornecedores. No entanto, como a UE, um bloco ao qual a Suíça nunca aderiu para manter o controle de seus assuntos, o país sofre as consequências por agir tarde demais.

Cerca de 3,7% da população foi vacinada, de acordo com o rastreador de vacinas da Bloomberg. A proporção está um pouco acima da média dos 27 membros da UE, embora seja uma fração do Reino Unido, de 15%. É também menor do que a da Sérvia, país que não pertence à UE e com PIB per capita que corresponde a menos de 10% da taxa da Suíça.

“O plano de vacinação do governo falhou”, disse Marco Chiesa, líder do Partido do Povo Suíço, o grupo nacionalista com o maior número de assentos na Câmara dos Deputados do parlamento. “Não estamos acostumados com essa falta de confiabilidade.”

Autoridades dizem que o atraso na entrega de vacinas deve ser recuperado em março. O ministro do Interior, Alain Berset, cujo departamento supervisiona a compra de vacinas, disse em 1º de fevereiro que o país pode não atingir a meta de vacinar pessoas acima de 75 anos até o final do mês. Todos os adultos, porém, seriam vacinados até o final de junho, disse.

Apesar dos gastos com saúde ficarem atrás apenas dos EUA e de sediar duas das maiores farmacêuticas da Europa, o país que hospeda a Organização Mundial da Saúde não forneceu fundos para o desenvolvimento de vacinas.

“A UE apoiou o financiamento de instalações de produção e não o fizemos”, disse Andreas Faller, ex-funcionário do Ministério da Saúde que agora trabalha como consultor. “E, em relação ao tamanho da nossa população, somos o maior produtor de produtos farmacêuticos do mundo.”

Uma porta-voz do Escritório Federal de Saúde Pública disse que não há base legal na Suíça para investir na produção doméstica de vacinas, mas que o país está investindo na pesquisa do vírus.

As compras iniciais do Ministério da Saúde de vacinas da Pfizer-BioNTech, Moderna e AstraZeneca cobriam apenas 75% da população, embora desde então tenha mais do que dobrado os pedidos para a Moderna e anunciado acordos com a CureVac e Novavax nesta semana.

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