Mercado abrirá em 9 h 22 min

Russos querem enviar missão "urgente" a Vênus em 2027 e procurar sinais de vida

Daniele Cavalcante
·2 minutos de leitura

Há dois meses, a Rússia declarou sua intenção de voltar a enviar missões a Vênus, dizendo que este “sempre foi um ‘planeta russo’”. Isso foi antes da descoberta de fosfina na atmosfera venusiana. Se antes a agência espacial russa já estava animada com a ideia de visitar o mundo vizinho, agora o plano é considerado uma urgência.

De acordo com o porta-voz da empresa NPO Lavochkin, o país pode enviar uma missão espacial a Vênus em 2027, com o objetivo de estudar as possibilidades de haver sinais de vida na atmosfera superior do planeta. A NPO Lavochkin, também conhecida por Associação de Pesquisa e Produção Lavochkin, é uma das principais empresas russas do ramo aeroespacial.

Este seria apenas a primeira das três missões que a Rússia planeta realizar nos próximos anos. O porta-voz afirmou em uma conferência no Instituto Russo de Pesquisa Espacial que as pesquisas científicas poderiam ser realizadas em Vênus entre 2029 e 2034.

Fosfina detectada na atmosfera superior de Vênus (Imagem: Reprodução/ESO/M. Kornmesser/L. Calçada/NASA JPL/Caltech)
Fosfina detectada na atmosfera superior de Vênus (Imagem: Reprodução/ESO/M. Kornmesser/L. Calçada/NASA JPL/Caltech)

A Roscosmos, agência espacial federal russa, já se adiantou dizendo que a detecção de biomarcadores — como a fosfina — na atmosfera não pode ser considerada uma "prova objetiva" da vida alienígena, e essa frase está mais que correta. Embora o porta-voz da NPO Lavochkin tenha usado a palavra “urgente” ao se referir à missão que poderia ser lançada em 2027, é um bom sinal que a Roscosmos deixe claro que não há nenhuma maneira de afirmar que algo interessante será encontrado por lá.

Encontrar fosfina da atmosfera de Vênus pode ser uma pista animadora e despertou muito entusiasmo entre os cientistas — enquanto outros já se esforçam para mostrar que é pouco provável encontrarmos vida em Vênus, apresentando possibilidades de formação abiótica (ou seja, sem participação de seres vivos) dessa substância. Por isso, é necessário cautela, ainda mais ao planejar missões caras e delicadas ao planeta.

Por sorte, a Rússia já estava mesmo planejando essas missões, e o país tem um longo histórico enviando sondas para Vênus. Mesmo antes do anúncio da descoberta de fosfina, Dmitry Rogozin, chefe da Roscosmos, declarou que “Vênus é mais interessante do que Marte”. Para ele, estudar Vênus poderia ajudar os cientistas inclusive a entender como lidar com as mudanças climáticas na Terra, o que também está de acordo com recentes hipóteses sobre nosso planeta vizinho.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech: