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Ruído político volta a colocar dólar acima de R$ 5,60

Marcelo Osakabe
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O vai e vem do noticiário sobre o Renda Cidadã novamente deixou investidores na defensiva nesta quarta-feira. As especulações sobre o destino do programa de renda mantiveram o câmbio pressionado. Nem mesmo a negativa oficial do ministro Paulo Guedes sobre uma possível extensão do estado de calamidade pública ou do auxílio emergencial foi suficiente para acalmar o nervosismo dos agentes locais. Nesse ambiente, o dólar encerrou em alta de 0,64%, a R$ 5,6263. Mais uma vez, o real destoou de pares emergentes, que avançaram terreno, em sua maioria, beneficiados por um recuo parcial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que permitiu a negociação de um pacote de ajuda ao setor aéreo no país. As preocupações fizeram o dólar disparar no fim da manhã, após uma notícia, veiculada pela revista “Veja” afirmar que o governo cogitava propor a extensão do auxílio emergencial e do estado de calamidade pública, possivelmente até junho do ano que vem. Os ativos locais rapidamente reagiram e a moeda americana registrou máxima intradiária de R$ 5,6380. O mau humor baixou após o ministro da Economia, Paulo Guedes, vir a público negar qualquer tratativa nesse sentido. “Ambos (auxílio emergencial e estado de calamidade) se encerram em dezembro”, garantiu o ministro a jornalistas. A ação, no entanto, não foi suficiente para acabar com a tensão do dia. “A boataria, os ruídos e os consequentes impactos no mercado só terminarão quando o governo detalhar claramente quais são as medidas compensatórias para a criação do programa de auxílio. Esperar o término das eleições significa atrapalhar o processo de recuperação econômica”, afirmou em seu perfil no Twitter o analista independente da Omninvest, Sergio Goldenstein. Segundo apurou o Valor, a ideia é mesmo que a decisão sobre o Renda Cidadã fique para depois das eleições. Até lá, o governo e as lideranças aliadas terão tempo de discutir qual o melhor formato de financiamento. A ideia de romper com o teto está descartada, afirmou um interlocutor. Líder do governo no Senado, o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) disse que foi a imprensa que criou expectativa de prorrogação do auxílio a partir de declarações recentes de Guedes. Ele também não entrou em detalhes sobre o que está sendo avaliado neste momento. “[Se chegar ao fim do ano sem o Renda], mantém o Bolsa Família, qual o problema?” Pixabay