RSF traça panorama negativo da liberdade de imprensa em 2012

Paris, 30 jan (EFE).- A ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) advertiu nesta terça-feira que a esperança e as mudanças políticas derivadas da primavera árabe não foram acompanhadas de uma maior liberdade de imprensa em 2012, ano no qual, segundo a instituição, não houve melhoras significativas em nível mundial.

A classificação anual da ONG desenvolveu um novo índice com critérios mais precisos e ponderados em função da população, que estabeleceu pela primeira vez uma pontuação global, neste caso de 3.395 pontos, para servir de referência para o futuro.

"Nenhum país alcançou a nota ideal de zero", explicou à Agência Efe o responsável pelo índice, Antoine Héry, que apontou que após o apogeu das revoltas nos países árabes, 2012 foi um ano de "retorno à normalidade", no qual houve "muito poucas verdadeiras evoluções".

Héry lembrou ainda que 2012 foi o ano mais mortal para a imprensa em quase duas décadas, com 88 repórteres e 47 blogueiros assassinados.

A Europa foi o continente mais bem classificado (17,5 pontos sobre 100), seguida pelas Américas (30), África (34,3), Ásia-Pacífico (42,2), os países da antiga União Soviética (45,3) e o Oriente Médio e o norte da África (48,5), apesar da esperança desencadeada nessa última região pela primavera árabe.

No ano passado, segundo o balanço, as colocações de cada país estiveram menos ligadas à intensidade da política atual, o que permitiu apreciar melhor a atitude dos diferentes regimes com relação à liberdade de imprensa a médio e longo prazo.

Finlândia, Holanda e Noruega foram, por mais um ano, os países mais respeitosos com a imprensa, enquanto o trio final, assim como em 2011, foi formado por Eritréia, Coreia do Norte e Turcomenistão.

Pelo segundo ano consecutivo, a Síria, onde a RSF enxerga "uma guerra informativa sanguinária", ficou com o quarto posto dos países com menos liberdade de imprensa, seguida, respectivamente, por Somália, Irã, China, Vietnã, Cuba e Sudão.

O Brasil, por sua vez, perdeu nove posições e foi parar na 108ª colocação. EFE

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