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Rover Perseverance revela detalhes das condições meteorológicas em Marte

Recentemente, cientistas publicaram um relatório que traz uma análise meteorológica das condições de Marte. Desenvolvido a partir dos dados coletados pelos sensores Mars Environmental Dynamics Analyzer (MEDA), que equipam o rover Perseverance, o documento revela uma atmosfera bastante dinâmica próxima da superfície na cratera Jezero, o lar do rover.

Os dados obtidos pelo rover após seu primeiro ano (marciano, vale lembrar) de análises mostram que a temperatura média na cratera é de -55 ºC, mas que pode variar e chegar a até 60 ºC principalmente durante o dia e a noite. Já a pressão atmosférica apresentou variações diárias, que ficavam mais intensas em ciclos sazonais: conforme o dióxido de carbono congelado nos polos foi sublimado no início do verão, o composto “migrou” para a atmosfera do planeta.

Os sensores MEDA ficam no "pescoço" e "base" do rover Perseverance(Imagem: Reprodução/NASA, JPL-CALTECH, MSSS)
Os sensores MEDA ficam no "pescoço" e "base" do rover Perseverance(Imagem: Reprodução/NASA, JPL-CALTECH, MSSS)

Agustín Sánchez-Lavega, coautor do relatório, observa que a pressão e a temperatura da atmosfera de Marte oscilam em períodos que acompanham os dias por lá. “O ciclo diário de luz solar influencia a quantidade de poeira e a presença de nuvens na atmosfera”, explicou ele.

Já os ventos sopram em ciclos diários, e podem chegar a 25 m/s por volta da metade do dia; durante a tarde, eles perdem velocidade e chegam a 7 m/s. Ainda, dados anteriores mostram que o rover Perseverance encontrou os chamados “demônios de poeira”, fortes tempestades que formam redemoinhos e que ocorrem acompanhadas da mudança de pressão no ar.

“Os demônios de poeira são mais abundantes na cratera Jezero do que em qualquer outro lugar em Marte, e podem ser bem grandes, formando redemoinhos com mais de 100 metros de diâmetro”, explicou o coautor Ricardo Hueso. “Com o MEDA, conseguimos caracterizar não somente os aspectos gerais deles, mas também seu funcionamento”, finalizou.

Os resultados representam os dados coletados no hemisfério norte de Marte desde a primavera por lá e o início do verão, e têm foco na camada atmosférica da superfície (ASL). Ela é a camada mais baixa da atmosfera do planeta em contato com a superfície, e é nela que o calor e massa, em forma de poeira, são trocados entre ambas.

Os demônios de poeira causam mudanças na pressão do ar em Marte (Imagem: Reprodução/NASA/JPL/UArizona)
Os demônios de poeira causam mudanças na pressão do ar em Marte (Imagem: Reprodução/NASA/JPL/UArizona)

Durante o dia, o calor solar aquece a superfície e a atmosfera inferior, fazendo com que bolsões de ar subam. Este processo cria uma leve turbulência, responsável pelas flutuações de temperatura observadas; a turbulência para conforme o Sol se põe, permitindo que o ar se acomode temporariamente. Entretanto, as instabilidades retornaram à ASL durante a madrugada no horário local de Marte.

Estes resultados convergem com o que já foi observado por outras missões em Marte — os dados do lander InSight, por exemplo, já haviam mostrado o retorno da instabilidade atmosférica. Agora, o MEDA confirmou que o fenômeno ocorre devido ao calor do terreno ali, ampliado por ventos causados por diferenças de temperatura da superfície.

O relatório com as descobertas foi publicado na revista Nature Geoscience.

Fonte: Canaltech

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