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Rover lunar da missão VIPER rodará software de código aberto, diz NASA

Gustavo Minari
·5 minuto de leitura

Já imaginou se o próximo veículo mandado para a Lua rodasse um software de acesso livre, como o Linux? A ideia parece simplista, mas já é realidade entre os cientistas da agência espacial norte-americana.

Em 2023, a NASA lançará o rover VIPER (da sigla em inglês Volatiles Investigating Polar Exploration Rover) para “farejar” água na Lua, e dentro da carcaça de plástico e metal haverá um sistema open source.

O objetivo de se utilizar softwares deste tipo é baratear os custos das missões lunares e interplanetárias. Com o crescimento da indústria espacial, há um aumento da demanda por tecnologias mais acessíveis, incluindo os programas de computador. Além disso, os softwares de código aberto geralmente possuem estruturas familiares, com as quais os engenheiros já trabalharam.

Ilustração do VIPER na superfície lunar (Imagem: Reprodução/NASA)
Ilustração do VIPER na superfície lunar (Imagem: Reprodução/NASA)

“Se pudermos aproveitar tudo isso que eles aprenderam na faculdade e trazer para o que é usado nas missões de voo, isso encurtaria a curva de aprendizado”, disse um dos responsáveis pela missão VIPER, Terry Fong.

Atualmente, a tecnologia de código aberto raramente é vista em missões espaciais. A NASA ainda gasta uma enorme quantidade de dinheiro para construir equipamentos que sejam lançados e cumpram suas funções a milhares de quilômetros da Terra. Com todo esse investimento, é difícil deixar missões inteiras a cargo de softwares geralmente associados a projetos mais simples, com uma complexidade infinitamente menor.

Mais barato, menos complicado

Com um número cada vez maior de novas empresas e agências espalhadas ao redor do mundo, buscando tecnologias mais viáveis para mandar sondas e satélites para o espaço, a procura por algo que elimine os altos custos associados à codificação especializada também cresceu.

A própria NASA já usa softwares de código aberto em escalas menores há pelo menos 15 anos. Um dos sistemas testados é o ROS (Robot Operating System), mantido pela organização sem fins lucrativos Open Robotics. Ele já é utilizado no robô humanoide Robonaut 2, que ajuda nas pesquisas na Estação Espacial Internacional (ISS), e no Astrobee, que circula pela ISS auxiliando os astronautas nas tarefas diárias.

Astrobee ajuda os astronautas nas tarefas do dia a dia na ISS (Imagem: Reprodução/NASA)
Astrobee ajuda os astronautas nas tarefas do dia a dia na ISS (Imagem: Reprodução/NASA)

“Basicamente, se é bom o suficiente para a NASA, provavelmente deve ser bom o suficiente para qualquer outra pessoa que tente operar um robô fora do nosso planeta. Ter um software de robótica mais barato que pode lidar com segurança com algo tão arriscado como uma missão espacial é uma grande dádiva" completa o professor Fong.

Por que a Lua?

Se formos comparar com Marte, as características da Lua são muito mais difíceis de se emular fisicamente aqui na Terra. Testar os componentes de hardware e software de um rover sem ter um ambiente minimamente parecido por aqui não é algo tão fácil.

Segundo o professor Fong, para fazer milhares de simulações digitais e testar os componentes do rover, era muito mais viável e barato utilizar um programa de código aberto. Outro fator que pesou na decisão foi o fato de a Lua estar perto o suficiente para que os cientistas possam controlar o rover em tempo real, sem que todo o software precise estar no próprio veículo.

“Decidimos dividir os cérebros do robô entre a Lua e a Terra. Assim podemos usar um software que não seja limitado pela radiação ou por voos difíceis e ainda usar computadores comerciais para isso”, explica Fong.

De acordo com a NASA, o VIPER ainda não funciona com um software 100% de código aberto, já que seu sistema de voo, por exemplo, usa um programa proprietário extremamente confiável que vem sendo desenvolvido há anos pela agência.

Missão VIPER

Em 2019, a NASA oficializou os planos de enviar um rover para encontrar água na Lua. Um dos objetivos é entender como a água chegou até lá, além de encontrar mais fontes de água para a implantação de uma futura colônia lunar.

Depois de pousar, o rover movido a energia solar começará a andar pela superfície lunar e iniciará uma missão de 100 dias, percorrendo cerca de 20 km. O VIPER vai coletar amostras de solo que são afetadas por diferentes condições de luz e temperatura. Com isso, a NASA espera mapear onde pode haver água no satélite natural da Terra.

Para fazer o trabalho pesado, o VIPER usará uma broca, projetada para atingir cerca de 1 metro de profundidade, para cavar e estudar a composição da Lua em busca de análises mais precisas. Se tudo der certo, a previsão de lançamento é para o final de 2023.

Veja a simulação no vídeo abaixo:

Futuro "aberto"

Apesar das preocupações envolvendo segurança ao se utilizar programas de código aberto em missões espaciais, a empresa americana Blue Origin anunciou uma parceria com vários grupos da NASA para fazer o que eles chamam de codificação de inteligência robótica, usando softwares open source.

Na Grécia, a Libre Space Foundation já fornece hardware e software de código aberto para pequenos projetos de satélites. “É um efeito dominó. Uma vez que a NASA diz publicamente que está usando este tipo de programa, então outras organizações estarão dispostas a fazer o mesmo”, disse o CEO da Open Robotics, Brian Gerkey.

Com o uso cada vez mais comum de materiais reaproveitáveis para o lançamento de foguetes, que consomem menos e são mais baratos de se construir, a utilização dos softwares de código aberto pode viabilizar viagens espaciais com maior frequência e para um número bem maior de terráqueos.

Fonte: Canaltech

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