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Rotina de trabalho híbrido vai exigir novas abordagens de segurança digital

Felipe Demartini
·4 minutos de leitura

O futuro será híbrido, com o home office se tornando cada vez mais uma parte integrante da rotina de empresas e seus colaboradores. Essa é a visão de Gil Shwed, CEO e fundador da Check Point, que aponta uma tendência desse tipo para 60% dos trabalhadores, que já esperam passar a maior parte de suas rotinas semanais online, e não mais em um escritório.

Os números são ainda maiores quando se fala em companhias do setor digital, e na própria empresa especializada em segurança, esse total chega a 98%. De acordo com Shwed, quase todos os funcionários da Check Point acreditam que o regime atual de trabalho à distância deverá ser mantido. E essa, segundo ele, é uma concepção que parte da ideia de que tudo tem funcionado bem desta maneira; então, por que não seguir assim?

“O futuro pós-coronavírus está sendo construído agora”, afirmou ele, em uma breve fala durante a abertura do Check Point Secure Cloud, mais um evento da companhia voltado para a segurança em cloud computing. Na visão dele, esse era um movimento que já vinha acontecendo há alguns anos, mas que foi acelerado de maneira forçada com as medidas de isolamento social. Agora, é um caminho sem volta.

Ele olha, novamente, para a própria Check Point como uma prova disso. “Compramos nossas licenças do Zoom há dois anos, jamais imaginaríamos [que o serviço] se tornaria o nosso novo escritório”, aponta, ao mesmo tempo, ponderando que a mudança se trata de mais do que apenas uma alteração na rotina ou de horários e locais de trabalho. Os regimes híbridos e remotos, também, estão relacionados a uma nova maneira de se fazer as coisas.

Para Shwed, a computação na nuvem e os sistemas de conectividade estão mudando os serviços e embutindo uma nova maneira de pensar sobre os negócios. Aplicativos, serviços e, logicamente, soluções de segurança precisam acompanhar os novos modelos que, também, são híbridos, baseados em softwares rodando em máquinas locais e servidores, com uma sinergia entre diferentes sistemas, dispositivos e categorias de usuários que precisa funcionar pelo bem dos negócios.

<em>Gil Shwed, em evento pré-pandemia. Para o CEO e fundador da Check Point, desafios durante e após isolamento têm a ver com pensar diferente e entender que o regime híbrido vai além de, apenas, trabalhar de casa (Imagem: Divulgação/Check Point)</em>
Gil Shwed, em evento pré-pandemia. Para o CEO e fundador da Check Point, desafios durante e após isolamento têm a ver com pensar diferente e entender que o regime híbrido vai além de, apenas, trabalhar de casa (Imagem: Divulgação/Check Point)

Por isso, segundo ele, a velha abordagem de proteção digital também precisa ser deixada de lado. Baixar aplicações em dispositivos e servidores não é mais suficiente, mas ainda é uma ideia comum, que leva a resultados danosos. “Isso se baseia na premissa de que temos, na nuvem, uma infraestrutura melhor e mais segura. É verdade, mas também existem ressalvas”, explica.

Uma delas é o entendimento de que não é porque a nuvem é adotada que ela é automaticamente mais segura. Empresas e provedoras de serviço do setor devem trabalhar em um regime de responsabilidade compartilhada, agindo juntas para garantir a proteção dos dados e também dos próprios servidores. Na ponta, iniciativas de educação, inteligência de ameaças e boas práticas também garantem a segurança.

Shwed fala nos perigos do cenário atual como os da pandemia do novo coronavírus, em que a prevenção e as melhores práticas são as principais maneiras de se proteger. Nesta relação, também, está a própria disseminação de malwares em uma época de crimes e, também, as medidas do que chama de "higiene cibernética", na forma da conscientização e das práticas de monitoramento de redes, acessos e uso de dados.

<em>CEO da Check Point compara duas crises atuais e as enxerga de forma similar, com medidas e melhores práticas que também envolvem a prevenção e medidas para conter infecções (Imagem: Divulgação/Check Point)</em>
CEO da Check Point compara duas crises atuais e as enxerga de forma similar, com medidas e melhores práticas que também envolvem a prevenção e medidas para conter infecções (Imagem: Divulgação/Check Point)

A maioria das empresas, porém, ainda trabalha na contramão dessa noção. A ideia, segundo ele, ainda é de que os ataques digitais são como os do passado, quanto a maior moeda, hoje, é a informação. “Ao contrário do crime ‘físico’, em que é possível avaliar valores e recuperar os itens, não funciona assim [na nuvem]. O seguro não vai te devolver o que foi perdido”, associa, citando danos à reputação, perda de propriedades intelectuais e a exposição de dados de parceiros ou clientes.

O resultado é o caos — e é ele que vem sendo registrado ultimamente, como demonstra o aumento nos números de ransomwares e o fato de os golpistas entendem as vulnerabilidades do momento atual e estão se aproveitando delas. Na visão de Shwed, a mudança de postura também passa pelo aparato de segurança, e esse entendimento, ao contrário da alteração nas rotinas de trabalho em si, é um que ainda está por vir.

Fonte: Canaltech

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